Idosa permanece 22 horas dentro de UTI móvel
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quinta-feira, 22 de junho de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Por falta de vagas de UTI em hospitais, uma mulher de 74 anos ficou 22 horas dentro de uma UTI móvel em Curitiba. Jordelina da Silva Branco, precisou de atendimento médico porque estava com pneumonia. Ela foi levada por uma unidade móvel da empresa Ecco Salva ao Hospital de Clínicas quarta-feira à tarde. A Ecco procurou seis hospitais de Curitiba mas em nenhum havia vaga. A solução encontrada foi deixar a paciente dentro da unidade móvel e mantê-la sob medicação até ontem de manhã. Só no final da manhã a paciente foi encaminhada ao Hospital Nossa Senhora do Rocio em Campo Largo.
O Hospital de Clínicas (HC) informou que a UTI estava lotada e que havia dois pacientes aguardando vagas no respirador no pronto-atendimento. Segundo a assessoria de imprensa do HC, a paciente teria que ter procurado primeiramente o atendimento de um posto de saúde municipal. A recepcionista do Hospital de Campo Largo, Maria Helena de Almeida da Silva, informou que a paciente chegou com problema pulmonar e foi encaminhada à UTI.
O gestor do sistema de urgência da Prefeitura de Curitiba, Matheus Chomatas, esclareceu que as empresas de UTI móvel não fazem parte do Sistema Único de Saúde (SUS) e, por isso, não têm como oferecer a garantia de internamento no SUS para os pacientes.
Segundo ele, muitas vezes, o paciente não tem convênio com planos de saúde particulares. Chomatas destacou que acontecem cerca de quatro a cinco casos por semana de não encontrar vaga no SUS.
De acordo com ele, a Ecco fez um contato com o Posto de Saúde 24 Horas do bairro Pinheirinho, que não encontrou vaga mas ia continuar a busca. Em seguida, Jordelina foi levada à central de atendimento da Ecco e a empresa só voltou a entrar em contato ontem de manhã com o sistema municipal de saúde. ''Se nós soubéssemos onde estava a paciente teríamos atendido'', declarou. Chomatas, disse que, anteriormente a paciente já teve vários derrames e agora estava acamada.
Quando um paciente precisa de atendimento, ele aconselha a procurar os postos de saúde municipais que funcionam das 7 às 20 horas, os postos de saúde 24 horas ou ligar para o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) através do número 192. Através do Samu, o paciente é encaminhado a um leito do SUS e, se não houver vaga, para um leito do atendimento particular.
De acordo com Chomatas, as vagas de UTI não são conseguidas de imediato. Quando o problema requer atendimento urgente, como no caso de um quadro cardíaco, o sistema de saúde municipal faz contato com hospitais que têm a área especializada como o HC, a Santa Casa e o Cajuru.
Curitiba conta com cinco postos de atendimento 24 horas. Pelo SUS, são 140 leitos de UTI adulto, 50 neonatal e 30 infantil.
A Ecco Salva foi procurada pela reportagem mas os diretores da empresa estavam em reunião e não deram retorno até o fechamento desta edição.


