Buenos Aires, 25 (AE) - Cento e vinte e quatro cadáveres de desaparecidos durante a última Ditadura Militar argentina (1976-1983) puderam ser identificados.
Isso foi possível graças ao descobrimento de um arquivo de microfilmes que a polícia da província de Buenos Aires guardava na cidade de La Plata com as impressões digitais das pessoas que considerava "delinquentes subversivos".
Os arquivos continham fichas sobre as tendências "ideológicas
políticas e religiosas" dos suspeitos e constituem na primeira descoberta de fichas de desaparecidos que possibilitem descobrir detalhes sobre os procedimentos policiais de sequestros.
A responsável pelo trabalho de comparação dos arquivos com os cadáveres descobertos é a equipe de Antropologia Legal Argentina
comandada por Alejandro Inchaurrégui, que há três anos identificou o corpo de Ernesto "Che" Guevara, enterrado na Bolívia.
Estela De Carlotto, presidente da Associação Avós da Praça de Maio, organização que procura o paradeiro dos desaparecidos e seus filhos nascidos nos campos de tortura, afirmou que é preciso transportar esse arquivo o mais rápido possível fora de La Plata.
O temor de Carlotto é que, no dia 10 de dezembro, o ex-coronel golpista Aldo Rico tomará posse como secretário de segurança da província e poderia reter as fichas.

mockup