Washington, 25 (AE-ANSA) - O foco de uma epidemia de sífilis que se difundiu com grande rapidez nas últimas semanas em San Francisco (EUA) foi identificado pelas autoridades sanitárias no ciberespaço, à raiz de relações sexuais que se seguiram a diálogos pelo computador.
Os repensáveis pelo serviço sanitário de San Francisco descobriram que sete homens que haviam contraído a doença nos últimos três meses tinham uma característica em comum: haviam conhecido seus parceiras sexuais no mesmo "chat room" para homossexuais da AOL.
A caça urgente ao foco infeccioso no ciberespaço, descrita como "sem precedentes" pelas autoridades de saúde dos Estados Unidos, enfrentou problemas insólitos: grande parte das vítimas apenas conhecia o sobrenome "virtual" de seus parceiros.
A American On Line (AOL), o maior provedor mundial de acessos à Internet, negou-se - alegando direito à privacidade - a revelar a identidade das pessoas envolvidas no caso.
Durante as investigações, os sete doentes de sífilis revelaram às autoridades que tiveram nos últimos três meses um total de 99 parceiros sexuais diferentes (apenas uma das vítimas havia tido 47 parceiros). A preocupação das autoridades aumentou devido ao fato de que cinco dos sete doentes eram também soropositivos.
"A sífilis cria feridas que multiplicam a possibilidade de transmissão do vírus da aids. Era vital identificar o mais rápido possível as potenciais vítimas do foco infeccioso", explicou Jeffrey Klausner, um médico de San Francisco.
A relação entre a antiga doença venérea e o moderno veículo de contágio obrigou as autoridades a elaborar uma nova estratégia para identificar os usuários do "site difusor da sífilis", o "San Francisco Men 4 Men" (SFM4M).
"Procuramos o Planet Out, um serviço de linha para gays de San Francisco. Explicamos o problema. De imediato, desencadeou-se um boca-a-boca eletrônico na comunidade gay da Internet", declarou o médico. Desta forma, em poucos dias foram identificados 66 dos 99 parceiros dos sete infectados com sífilis.
Os especialistas do Centro para o Controle de Doenças dos EUA
situado em Atlanta, afirmam que é a primeira vez que o foco de uma epidemia de sífilis é identificado no ciberespaço.
"Mas isso se converterá em uma situação cada vez mais comum: as reuniões de parceiros sexuais via computador estão se multiplicando. As velhas epidemias encontram agora novos instrumentos de contágio", advertem os especialistas. 1

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