Mais uma casa de repouso irregular, dessa vez no Jardim Santa Rita, zona oeste de Londrina, foi descoberta pela reportagem da Folha. A dona da casa, Maria Conceição da Silva, negou tratar-se de um abrigo, mas admitiu que cuida de quatro ‘‘pacientes’’. A equipe de reportagem, que foi impedida de entrar na residência, constatou a presença de pelo menos sete idosos, alguns deles em cadeiras de rodas. A casa fica na Rua Piquiá.
De acordo com Maria Conceição, os idosos estão sob sua responsabilidade, mas com ordem dos familiares. ‘‘Eles me pagam pelo serviço’’, afirmou. Ela garantiu que não mantém asilo. ‘‘Minha residência é particular e tenho autorização para cuidar dos pacientes’’, reafirmou.
Ainda segundo a proprietária, uma auxiliar de enfermagem trabalha na casa e fica à disposição dos idosos. No momento em que a reportagem da Folha chegou, os idosos estavam sentados na varanda. Dois deles em cadeiras de rodas, atrás de um biombo.
A secretária municipal do Idoso, Maria Angela Santini, acredita que deve haver muito mais abrigos irregulares na cidade. A secretaria e a Vigilância Sanitária estão mapeando as instituições asilares e devem, em poucos dias, divulgar relatório sobre a situação encontrada nesses locais. Há cerca de um mês um asilo no Parque Ouro Branco foi interditado pela Vigilância, que esta semana autuou duas casas na zona norte da cidade, onde estão vivendo 26 idosos em condições precárias. Os proprietários estão sujeitos à interdição.
Para a secretária do Idoso, apesar da proliferação dos asilos particulares, muitos sem licença sanitária e sem alvará de funcionamento, o negócio não é lucrativo. ‘‘A pessoa idosa exige cuidados especializados e os custos de manutenção dos asilos não são baixos’’, informou Maria Angela. Para ela, os idosos que vivem em casas clandestinas passam privações porque os proprietários retêm o dinheiro e não estão capacitados profissionalmente.
O advogado Jorge Custódio Ferreira, do Centro de Direitos Humanos (CDH), disse que o órgão tem conhecimento das violações dos diretos dos idosos. ‘‘Já recebemos uma denúncia, mas estamos com poucos voluntários para atuar nesse setor’’, afirmou.
Conforme Custódio, os estabelecimentos que mantêm pessoas idosas precisam ser rigorosamente fiscalizados. O advogado considera que, muitas vezes, sem família e com a sa© úde comprometida, o idoso não tem como procurar as autoridades.

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