Identificado novo despejo irregular no Lago Igapó II
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terça-feira, 17 de julho de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - A Secretaria Municipal do Ambiente (Sema) identificou ontem novo despejo irregular de resíduos no Lago Igapó II. O líquido branco desembocou por uma galeria pluvial. Amostras foram coletadas por técnicos do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e encaminhadas para análise.
Fiscais inspecionaram as galerias e identificaram a origem do problema. A água seria proveniente de uma obra na Gleba Palhano (Zona Sul). Os resíduos de uma lavagem do pátio de obras atingiram a rede pluvial. A empresa foi notificada ontem à tarde, quando responsáveis assinaram termo de vistoria e constatação realizado pela Sema.
''Não acho que o contaminante seja grave. Conseguimos identificar diversos resíduos colocados de forma irregular, como argamassa em caçambas sem devida proteção. Observamos também quantidade imensa de areia e detritos depositados ao lado da boca de lobo, que também atingem o lago, provocando o assoreamento'', avaliou o secretário Gilmar Domingues Pereira. A construtora tem sete dias para sanar os problemas.
Para o especialista em hidrogeologia e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), André Celligoi, o despejo afeta todo o ecossistema do lago. ''O lago, ao invés de ter contribuição normal das chuvas, acaba recebendo todo tipo de detrito provocando o assoreamento. Se tiver contaminante pode ter impacto sério para o meio ambiente e causar problema para o ecossistema como a mortandade de peixes'', explicou.
Um processo administrativo foi aberto para apurar a irregularidade. Segundo o artigo 62 do decreto federal 6.514/2008, que define o crime ambiental, a multa nesses casos varia de R$ 50 mil a R$ 50 milhões. O caso será remetido à Promotoria do Meio Ambiente.
''O poder público tem que aprimorar a fiscalização e atuar de forma que esse tipo de problema não aconteça. É lamentável ver em alguns pontos dos lagos formação de delta provocada pelo assoreamento'', afirmou o geólogo.
A Sema também pretende encaminhar notificações para outras empresas da região. ''Temos intenção de fazer notificação em massa a fim de promover educação ambiental. Se houver reincidência, esse pessoal será multado'', alertou. Semana que vem começa uma campanha com os lava rápidos. O Código Ambiental do Município determina que essas empresas tenham ligações com a rede de esgoto, para evitar que a água da lavagem seja despejada na rede de galerias pluviais.
Em julho do ano passado houve outro despejo irregular no Lago Igapó II. O responsável não foi identificado.


