São Paulo- A Secretaria da Saúde de Santa Catarina confirmou ontem que um barbeiro encontrado no quiosque Barracão da Penha 2, em Navegantes (113 km de Florianópolis), estava infectado com o protozoário Trypanosoma cruzi (causador do mal de Chagas). Segundo o órgão, 91% das contaminações confirmadas da doença ocorreram pela ingestão de caldo de cana no estabelecimento.
O exame, realizado pelo Departamento de Microbiologia e Parasitologia da Universidade Federal de Santa Catarina, comprovou a presença do protozoário no percevejo.
O inseto foi encontrado ontem por funcionários do estabelecimento, que fica às margens da BR-101, no km 111. Ele estava escondido em uma toalha -produto que também é comercializado no quiosque.
Além do barbeiro, uma gambá e quatro filhotes capturados próximos ao local também tiveram resultado positivo para o exame.
Os animais foram pegos por uma das 40 armadilhas montadas na mata fechada, atrás do quiosque, área em que parte da cana era armazenada. Segundo o diretor da Vigilância Epidemiológica do Estado, Luis Antonio Silva, as buscas a animais infectados continuam e serão ampliadas para um raio de quatro quilômetros.
''A situação está precisamente esclarecida, o que dá uma segurança maior para saber quais pessoas estariam expostas à contaminação'', disse. Segundo ele, todos os doentes ingeriram o caldo no dia 13 de fevereiro. A Vigilância ainda investiga os dois moradores de Joinville (180 km da capital), que tiveram a confirmação, mas afirmaram não ter passado por Navegantes.
Não foi apontada também a forma de transmissão. As hipóteses são a de que a cana tenha sido infectada pelo gambá ou pelo barbeiro no local de armazenamento ou a de que ela tenha sido moída com o inseto na preparação da bebida.
A Vigilância Epidemiológica divulgou ontem que 24 casos estão confirmados. Há nove dias, o número havia chegado a 30 e se estabelecido.
De acordo com Silva, quatro eram portadores crônicos da doença de Chagas (já em estágio avançado). Desses, dois haviam feito exames para doar sangue, e os outros dois eram receptores de órgãos. Mais dois casos voltarão a ser analisados, pois podem não estar ligados ao surto.
Segundo ele, apesar de a transmissão ter sido acidental, agentes de todo o Estado envolvidos na caça ao mosquito da dengue serão capacitados para também capturar o vetor do mal de Chagas. A responsabilidade será das vigilâncias municipais.

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