Curitiba- O impasse concreto gira em torno do item ''18.2.'' do protocolo, que trata da identificação de carregamentos de navios com OVM destinados à exportação. Na última reunião, o Brasil defendeu a adoção da expressão ''Pode conter OVMs'' nas cargas, e não ''Não contém OVMs'', como defendem os outros países.
De acordo com o coordenador de Biosegurança do Ministério da Agicultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Marcus Vinicius Segurado Coelho, a identificação clara geraria muitos custos em testes; métodos diferentes de testes feitos pelos países com consequentes interpretações diferentes, entre outros problemas.
Ou seja, um setor do governo alega que essa identificação resultaria em um custo muito grande para o Brasil, único grande exportador de soja do mundo que ratificou o protocolo. Isso faria o país perder competitividade frente a outros exportadores, como a Argentina e mesmo Estados Unidos - que apesar de não ser um grande produtor tem a melhor infra-estrutura e logística para exportação.
Outra parte do governo federal, incluindo a ministra Marina da Silva, do Meio Ambiente, tem posição semelhante à defendida pelos ambientalistas. Esse setor argumenta que a posição internacional do Brasil vai contra a legislação brasileira, que prevê a implementação da rotulagem dos produtos que contenham OGM, obrigatória inclusive para produtos de origem animal.
Além da resistência dos ambientalistas, o governo federal também terá que enfrentar a posição do governo do Paraná, que é terminantemente contra os organismos geneticamente modificados (transgênicos). Para mobilizar a sociedade paranaense para discussões sobre conservação da diversidade biológica e também sobre os transgênicos, a Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e o Instituto Ambiental do Paraná (IAP) lançaram, em novembro, o Fórum Paranaense de Biodiversidade e Biossegurança. Outra atribuição do fórum será elaborar propostas para serem levadas Às convenções, em março.(M.G.)

mockup