Curitiba- O Instituto de Criminalística do Paraná deverá terminar a identificação de 13 vítimas de incêncio num supermercado de Assunção, no Paraguai, dentro de 50 dias. O processo está sendo feito pelo Laboratório de Genética Molecular Forense, o único no Brasil com um equipamento especial conhecido como Moinho Crimogênico que faz a trituração de dentes e ossos para identificação por DNA. Ontem, partes dos corpos carbonizados e sangue dos supostos pais já estavam no laboratório. Para identificação, serão necessários 45 exames diferentes.
Outras partes dos corpos das vítimas foram encaminhados para laboratórios fonrenses do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Brasília. ''O nosso equipamento é referência na América Latina e pode identificar com precisão o grau de parentesco das amostras de ossos com o sangue colhido pelos supostos pais'', explicou Ari Fontana, diretor do Instituto de Criminalística.
Os paraguaios carbonizados foram mortos no dia 1º de agosto do ano passado, num incêndio no supermercado Icuá. Cerca de 400 pessoas morreram. O fogo na chaminé da panificadora se alastrou pelos corredores de compras. As portas do estabelecimento foram fechadas para evitar que pessoas saíssem sem pagar as compras.
A identificação por DNA deverá ser, segundo Fontana, a maior ferramenta do futuro para elucidação de crimes. Atualmente, ela é usada basicamente em casos de evidências criminais e identificação de paternidade. O Laboratório de Genética Forense do Instituto de Criminalística tem demanda reprimida e não consegue dar conta de todos os pedidos que chegam mensalmente por falta de pessoal e estrutura. Atualmente são feitos cerca de 100 a 150 exames de paternidade por mês e alguns casos de evidências criminais, que são mais complexos e delicados.
Nos últimos meses, dois casos chamaram a atenção e foram elucidados pelo DNA. O primeiro foi em Almirante Tamandaré, na Região Metropolitana de Curitiba. Um senhor prendeu um empregado e o levou a delegacia como sendo o autor de um estupro contra a neta dele que era excepcional e estava grávida. O empregado negava o crime. O exame de DNA demonstrou que o próprio avô era o autor do estupro e ele mesmo era o pai da menina (o senhor teria estuprado antes a filha, que ficou grávida e deu à luz a garota excepcional).
Outro caso foi em Capanema (112 km oeste de Francisco Beltrão), onde cinco pessoas morreram carbonizadas e a família tinha dúvida de quem era a quinta pessoa. O exame de DNA comprovou a identidade através da coleta de cartilagens e sobras de ossos, além de material orgânico recolhido dentro do carro incendiado.

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