Rio - Cerca de 50 cidadãos americanos esperaram por cerca de sete horas para serem identificados no Aeroporto Internacional Tom Jobim, no Rio. Apenas um papiloscopista da Polícia Federal tirava as impressões digitais. Ele teve de se dividir entre os terminais 1 e 2, onde 10 aviões vindos de Miami, Los Angeles, Houston e Nova York pousaram durante o dia de ontem.
A designer colombiana Juliana Fajardo, que tem cidadania americana, estava entre os passageiros que tiveram de esperar pela identificação para serem liberados. Ela contou que, diante de tanta demora, uma representante do consulado americano esteve no aeroporto para explicar o que estava acontecendo. O marido de Juliana, o brasileiro Paulo Lopes da Costa, teve de esperar a mulher passar pelo procedimento de identificação para deixar o aeroporto.
''Eu moro no Brasil e achei que não precisaria passar por todo esse processo. A Polícia Federal já tem todas as minhas informações em Brasília. Mas eles não têm lógica, não pensam. Estou me sentindo cansada, frustrada e irritada'', disse Juliana, depois de uma longa viagem Bogotá-Manaus-São Paulo-Rio e sete horas de espera no Aeroporto Tom Jobim.
Os passageiros ficaram revoltados com tanta demora. No terminal 1 a espera foi de cerca de 4 horas. Mas no terminal 2, passageiros americanos que chegaram pela manhã só foram liberados no fim da tarde. A Polícia Federal não se pronunciou sobre o motivo da demora.
Três canadenses que viajavam de Chicago para o Rio perderam a conexão em São Paulo porque também tiveram de ser fichados, num engano cometido pela polícia federal paulista. Eles só chegaram ao Rio no início da noite de ontem. ''Eles colocaram a gente em uma fila, tiraram a foto, a impressão digital. Não vejo problemas. Mas acho que eles nem olharam meu passaporte'', disse o professor Herbert Jenkin, de 75 anos.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria Hoteleira (ABIH), Alfredo Lopes, disse que o Brasil deveria comemorar a decisão dos Estados Unidos de fichar estrangeiros em vez de ''partir para a retaliação''. Segundo ele, a medida americana só traria benefícios para o turismo nacional. ''O brasileiro em vez de gastar dólares lá fora, gastaria mais reais aqui dentro'', acredita.
Para ele, a decisão do juiz federal Julier Sebastião da Silva, que determinou que todos os cidadãos americanos fornecessem a impressão digital e fossem fotografados ao desembarcar no Brasil, trará prejuízos ao setor hoteleiro. Segundo cálculos da ABIH, 38 mil americanos se hospedam todos os meses no Rio de Janeiro. Só para o período do réveillon chegaram mais sete mil 12% a mais do que no ano passado. ''O americano é o principal turista do Brasil. Já é difícil para eles obterem o visto para vir para cá, porque não há representações diplomáticas em todos os estados. Com essa retaliação, eles têm mais um motivo para escolher outros destinos'', acredita Lopes. Ele classificou de ''visão míope'' a do juiz Julier da Silva. ''Reciprocidade é um direito, não um dever'', opinou.

mockup