Washington - Depois de 30 anos do escândalo Watergate, que acabou com a presidência de Richard Nixon e marcou um dos momentos mais importantes da história do jornalismo, os Estados Unidos ainda se perguntam quem foi o ‘‘Garganta Profunda’’.
O maior segredo do jornalismo americano continuará bem guardado, pelo menos por enquanto, já que as que prometiam ser valiosas revelações de um ex-conselheiro de Nixon, não esclareceram a incógnita.
Enquanto isso, os dois repórteres do ‘‘Washington Post’’ que revelaram o escândalo, Bob Woodward e Carl Bernstein, renovaram seus votos de silêncio.
O ex-conselheiro da Casa Branca, John Dean, publicou ontem, em Salon.com – revista eletrônica com escritórios nas cidades americanas de São Francisco, Nova York e Washington –, um documento de 158 páginas que contém uma lista com cinco possíveis ‘‘Gargantas Profundas’’.
Estes são Patrick Buchanan, candidato conservador à presidência e antigo escritor dos discursos de Nixon; Ron Ziegler, chefe de imprensa de Nixon; o assistente de Ziegler, Jerry Warren; Steve Bull, ajudante do secretário de Nixon; e, por último, Raymond Price, assistente especial de Nixon.
Dean, que disse ter passado os últimos 20 anos investigando o mistério, prometeu, no final de abril, que revelaria de uma vez por todas o nome do misterioso personagem ontem, dia do 30º aniversário do escândalo.
Mas as coisas se complicaram e a tarefa de revelar a identidade do confidente cujas revelações levaram o presidente número 37 dos EUA a renunciar, é muito ‘‘imprevisível’’, segundo o próprio ex-conselheiro.
Em 1973 o testemunho de Dean ajudou a forçar Nixon, que governou os Estados Unidos de 1969 a 1974, a deixar a Presidência.
Em seu livro, o ex-conselheiro oferece documentação detalhada sobre os motivos que lhe induzem a suspeitar de cada um dos cinco candidatos.
No entanto, longe de revelar a verdade, Dean inclui uma lista de historiadores, jornalistas e conspiradores de todo tipo que asseguram saber a identidade do ‘‘Garganta Profunda’’.
Como disse ontem o então diretor do Washington Post Ben Bradlee, em uma entrevista coletiva sobre o escândalo, ‘‘ainda há mais perguntas do que respostas’’ sobre o que realmente ocorreu há 30 anos.
Woodward, na época o jovem repórter do Washington Post que, junto com seu colega Bernstein reuniu as informações que conduziram ao Watergate, voltou a insistir que ‘‘jamais’’ revelará sua fonte e que só o fará quando o ‘‘Garganta Profunda’’ morrer ou se tiver sua autorização.
‘‘A proteção das fontes – tanto as oficiais como as independentes – é básica e fundamental’’, destacou Woodward. ‘‘Eu tive em minhas mãos uma história que verifiquei várias vezes. Se foi uma filtragem? Não sei, foi uma história que tinha que ser publicada porque representava o abuso de poder de um presidente eleito’’, afirmou.
Enquanto o mistério em torno ao escândalo Watergate se mantém, o que mudou nestes 30 anos são as opiniões dos americanos, que se mostram mais favoráveis ao perdão obtido pelo presidente Nixon.
Segundo uma pesquisa da ABC News divulgada ontem, 6 de cada 10 americanos (quase o dobro que em 1976) acham que o perdão presidencial concedido por seu sucessor na presidência, Gerald Ford, foi correto.
Woodward e Bernstein ganharam o prêmio Pulitzer pelos 26 meses de pesquisas com as quais revelaram o escândalo Watergate, que era uma rede de espionagem política, subornos e uso ilegal de fundos, e que conduziu ao processo de 40 altos funcionários e à renúncia do presidente americano da época.
Além disso, ambos os jornalistas fizeram um contrato para escrever um livro sobre os fatos, cuja versão cinematográfica, ‘‘Todos os homens do Presidente’’, virou inspiração para toda uma geração de repórteres.

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