Rio, 11 (AE) - O ministro das Relações Exteriores, Luiz Felipe Lampreia, afirmou hoje que a dolarização das economias - substituição da moeda local pelo dólar - pode prejudicar as boas perspectivas de integração da América do Sul, se muitos países aderirem. "A dolarização é uma idéia que inquieta e preocupa o Brasil", explicou o chanceler, "porque é uma virtual abdicação dos instrumentos de soberania e de política econômica". O Equador caminha para a dolarização, e o mesmo sistema foi defendido pelo ex-presidente da Argentina, Carlos Menem, mas rechaçado por seu sucessor, Fernando de la Rúa.
A integração de mercado foi um dos itens defendidos por Lampreia durante seminário promovido pela Fundação Getúlio Vargas, no Rio, sobre os cenários para o ano 2000. "O desejo do Brasil é consolidar o Mercosul e trazer o Chile e a Bolívia definitamente para o bloco", declarou. O governo brasileiro já comunicou ao presidente eleito do Chile, o socialista Ricardo Lagos, a disposição de ter o país como membro pleno do Mercosul.
Lampreia apresentou o que chamou de "cenário pró-ativo" para o Mercosul: ter um novo regime automotivo, acelerar a criação de uma tarifa externa comum e abrir o setor de serviços ao bloco, inclusive compras governamentais e licitações públicas. "O governo argentino está no poder há apenas dois meses e quer discutir estas questões a partir do mês que vem", disse o chanceler. Uma equipe argentina virá ao Brasil no dia 16 de março. O ministro também falou sobre as ações do Brasil em outras frentes comerciais. Ele informou que o País iniciou uma rodada de conversações com o México, para voltar a fazer parte do regime preferencial do país.
O Brasil, lembrou Lampreia, é o único país do Mercosul que está fora deste regime especial. O chanceler também trabalha para a criação de uma área de livre comércio entre o Mercosul e a áfrica do Sul.

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