Idec vai testar derivados de milho e soja
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2000
Por Renato Stancato 
São Paulo, 15 (AE) - O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) vai testar 30 produtos derivados de milho e de soja nacionais e estrangeiros. A intenção é começar os testes ainda no 1º semestre. O Idec também está fechando uma série de acordos internacionais com organizações de consumidores para o intercâmbio de informações sobre produtos geneticamente modificados. A entidade promoveu hoje o seminário "Alimentos Transgênicos: A Realidade Brasileira e o Consumidor Europeu", em São Paulo, com a participação de técnicos, representantes de governos, iniciativa privada e Ministério Público.
O Idec está se informando com laboratórios para obter testes de detecção de transgênicos. O objetivo da ação é tomar o papel que o governo tem problemas para desempenhar, de fiscalização. A ONG está preparando uma jornada de discussões para 15 de março, Dia Internacional do Consumidor. "A cada ano, as associações internacionais de consumidores propõem um tema, e este ano será o tema dos transgênicos", disse a coordenadora executiva do Idec, Marilena Lazzarini.
Para Marilena Lazzarini, a confusão legal, de legislação
foi causada pela inoperância do governo federal. "Isso está fazendo com que os Estados se antecipem ao governo", afirmou. Ela disse, no entanto, que desde que a Justiça embargou a utilização comercial de transgênicos no Brasil o Executivo, algumas ações têm sido feitas tomadas pelo Executivo.
"O Ministério do Meio Ambiente começa a estabelecer normas para o relatório de impacto ambiental (EIA-RIMA) para plantas transgênicas, e o Ministério da Justiça está fazendo consultas para a definição de uma lei de rotulagem", disse. "Mas o Ministério da Saúde ainda não se mexeu para fazer os estudos necessários que comprovem que o alimento é seguro para o consumidor, e isso atrasa a regulamentação desses alimentos." Biotecnologia - Marilena Lazzarini reiterou que o Idec não é sectário em relação ao uso da biotecnologia. "O que acontece é que estes produtos não oferecem nenhum benefício ao consumidor e têm risco desconhecido", disse. Segundo ela, a definição de que os produtos transgênicos têm "equivalência substancial" com os produtos convencionais, feita pelo FDA (a vigilância sanitária dos EUA), não é convincente. "Há estudos provando que ainda há muitos riscos desconhecidos."


