São Paulo, 23 (AE) - Sete marcas de palmito foram consideradas impróprias para o consumo pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec), de São Paulo. Após avaliar 32 marcas, o instituto encontrou irregularidades nos produtos Diana
Hemmer, Ivaí, Pachá, Tchan, Beija-Flor e Caneco. Nas seis primeiras marcas foi encontrado um pH superior a 4,5. Caso a bactéria Clostridium botulinum esteja presente nesse ambiente pode liberar a toxina causadora do botulismo. Nos palmitos Caneco e Beija-Flor, foram encontradas bactérias da família do Clostridium.
Marilena Lazzarini, diretora do Idec, afirmou que os problemas encontrados não se referiam ao uso de "equipamentos de alta tecnologia na produção". "Eles são decorrentes de erros básicos na produção."
O botulismo é uma doença que afeta o sistema nervoso central e pode levar à morte. Seus sintomas, que geralmente surgem 12 horas após o consumo do alimento, são insuficiência respiratória, distúrbios visuais e problemas de coordenação motora.
Rótulos - O Idec analisou também os rótulos dos produtos e constatou que, além de não apresentar informações exigidas pelo Código de Defesa do Consumidor, uma marca dizia que o produto não continha colesterol. "Nenhum palmito contém colesterol", explicou Marilena.Para reduzir os riscos, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVS) criou uma regulamentação sobre o comércio de palmito, que entra em vigor em fevereiro. O governo pretende recadastrar todas as empresas que fabricam palmito e avaliar a qualidade do produto. "Nossa proposta é antecipar a regulamentação. Queremos que entre em vigor agora", disse Marilena.
Segundo Othon Abrahão, coordenador técnico do Idec, não há como verificar sem exames se um palmito em conserva tem pH adequado. Hoje, a única ressalva na embalagem, determinada pela ANVS , é uma advertência de que o produto deve ser fervido antes de consumir.
Assustados com o efeito dos casos de botulismo no mercado, cinco fabricantes decidiram formar este ano a Associação Nacional dos Fabricantes de Palmito (Anfap). A primeira medida da Anfap foi criar um selo de qualidade, que deve entrar em vigor em outubro. Todas as empresas interessadas terão de submeter-se a um rigoroso teste que será realizado pela empresa Bureau Veritas.
O presidente da Anfap, Milton Antunes Correio, é proprietário da Riomar, que fabrica o Palmito Ivaí, condenado pelo Idec. "O teste não foi feito de forma adequada", argumentou. Ele alega que os testes não foram realizados com a presença de um representante da empresa.
Nemer Alfredo Finotello, assessor-técnico do Sindicato Nacional dos Palmiteiros, também questionou a metodologia. Abrahão informou que todos os testes ocorreram no laboratório do Centro de Pesquisa e Processamento de Alimentos da Universidade Federal do Paraná. Foram colhidas cinco amostras de cada produto de sete cidades diferentes. Também participam do sindicato os fabricantes dos palmitos Caneco e Diana.
Clandestina - Antoine Zahil, distribuidor do produto Pachá, também não aceitou os resultados e explicou que faz três testes de qualidade. A Conservas Adil, fabricante do Tchan, garantiu ter laudos do Instituto Adolfo Lutz comprovando a qualidade do produto. Já Giovani Mazon, administrador da Beija-Flor, afirmou que não distribui seu produto há mais de um ano, uma vez que o governo proibiu a importação de palmito. O Beija-Flor é boliviano. "Acho que o Idec usou uma amostra clandestina." O Idec informou que todas as amostras foram retiradas de supermercados.
Jaime Dietrich, engenheiro químico da Hemmer, explicou que houve de fato um problema com o lote testado pelo Idec. "Alguns vidros tinham mais palmito do que água, o que afetou o pH", afirmou. A empresa já retirou o lote do mercado e instituiu uma etapa a mais no processo de fabricação para evitar que isso ocorra novamente. A pesquisa completa do Idec pode ser acessada pela Internet no endereço http://www.idec.org.br/. //FIM/RGR/REDAEGER/

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