São Paulo, 28 (AE) - A comunidade de internautas no Brasil já cresceu entre 5% e 15% em decorrência do acesso gratuito, segundo dados do International Data Corporation (IDC), um dos maiores institutos de pesquisa do ramo. O gerente de Pesquisa do IDC Brasil, Gerd Souza, esclareceu que essa estimativa foi feita com base na expansão de computadores conectados à grande rede no País. Combinando esses dois fatores - Internet grátis e mais PCs - o IDC decidiu rever as projeções para o comércio eletrônico no País este ano.
Segundo Souza, o comércio eletrônico brasileiro vai movimentar US$ 430 milhões este ano - 13% mais do que os US$ 380 milhões inicialmente previstos. Essa revisão tem impacto também na estimativa para 2003, que era de US$ 2,7 bilhões e passou para US$ 3,1 bilhões, um aumento de quase 15%. O business-to-business - negócios eletrônicos entre empresas - vai passar de 72% desse volume hoje para 75% em 2003. Segundo Souza, a atuação mais frequente de hackers no Brasil não vai afetar o comércio eletrônico. "Todos esses ataques não envolvem segurança das transações", declarou.
O IDC prevê que até o final deste ano haverá 9,2 milhões de computadores pessoais no País e 4,4 milhões de internautas. Até 2003, serão cerca de 15 milhões de computadores e 10,2 milhões de internautas. Segundo ele, a redução do custo do PC e a oferta gratuita de acesso à Internet estão estimulando essa expansão.
"Antes o consumidor brasileiro considerava a prestação do financiamento do computador mais a taxa do provedor", afirmou Souza. Agora, com o acesso gratuito, o preço para acessar a rede caiu. Mas uma medição mais precisa desse impacto do acesso gratuito sobre a expansão de computadores no País só será possível em três meses, quando o IDC vai realizar nova pesquisa com cerca de três mil brasileiros nas capitais.
Revisão das projeções, como essa que está sendo feita no Brasil, pode ocorrer em outros países latino-americanos por causa da onda do acesso gratuito. "Qualquer coisa relacionada com Internet tem efeito pinguim", disse Souza. "Quando um pula na água, os outros vão atrás", afirmou. Ele esclareceu, no entanto, que nos demais países latino-americanos esse processo vai demorar um pouco mais.
Ele afirmou também que tarifas telefônicas diferenciadas para os usuários de Internet devem demorar a chegar ao País. "O Brasil ainda é um bebê em termos de Internet", disse, esclarecendo que apenas os chamados heavy-users estão conectados à rede e esses não se importam em pagar pelos gastos com telefone. "As telefônicas estão em posição muito confortável", afirmou Souza. Ele avalia que a tarifa diferenciada só vai chegar quando houver competição de fato.

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