Brasília, 08 (AE) - Os aliados aprovaram o recuo do governo de só apresentar a proposta que estabelece a idade mínima para os trabalhadores da iniciativa privada se aposentarem caso haja um consenso entre as lideranças da base governista. A decisão foi aplaudida pelos parlamentares da base, que resistiam votar no Congresso qualquer medida impopular. "Isto é uma demonstração concreta de que o governo está nos ouvindo", disse o líder do PMDB na Câmara, deputado Geddel Vieira Lima (BA). "Eu fui um dos primeiros a avisar que teria dificuldades na base e que o PMDB não votaria com o governo na texto da idade mínima", lembrou o deputado baiano.
O deputado Roberto Brant (PFL-MG) fez uma avaliação mais pragmática. "O governo partiu para o diálogo com os aliados porque não tem outro caminho e não porque resolveu ser bonzinho", alfinetou. Ele lembrou que depois da reforma ministerial a relação dos aliados com o governo mudou. "Não há condições de aprovar qualquer emenda constitucional na Câmara", observou Brant, lembrando que no caso específico da idade mínima
o PFL votaria favoravelmente, mas que o governo encontraria resistência nos demais partidos.
A nova estratégia do governo foi decidida no sábado, no Palácio da Alvorada, depois de uma reunião de seis horas convocada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso com os seus articuladores políticos e ministros da área econômica. O líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP) fez uma avaliação positiva do encontro. "Fizemos uma avaliação bem realista das dificuldades para passar alguns projetos, como o da idade mínima", contou Madeira.
Segundo ele, será necessário organizar reuniões semelhantes entre a área econômica e líderes de partidos aliados para tentar quebrar as resistências aos projetos do governo. Madeira lembrou que a aprovação da idade mínima só terá efeito fiscal depois de 35 anos. "Portanto, não temos pressa para discutir o assunto; primeiro é preciso esclarecer bem e conversar com os líderes aliados", avisou.
Ele também contou que na reunião foi esclarecido que a maior parte dos projetos de interesse do governo - como a Lei de Responsabilidade Fiscal, a reforma tributária e a regulamentação da reforma da Previdência - deve consumir pelo menos dois meses de avaliação. "É preciso respeitar os prazos regimentais", contou. Dificuldades - O texto da idade mínima já sofreu três derrotas no Congresso e o Executivo não irá correr o risco de sofrer outro desgaste. "É preciso reconhecer as dificuldades e não insistir numa derrota", explicou um ministro que participou da reunião, lembrando que agora é necessário procurar alternativas. O governo pensa em apresentar um projeto de lei ordinária para estimular as pessoas a se aposentarem mais tarde e punir as aposentadorias precoces.
Mesmo assim, Geddel é cauteloso. Segundo ele, o PMDB não irá se comprometer em votar qualquer medida, sem antes estudar detalhadamente a proposta. "Queremos resultados mais concretos do governo para a situação social do País", ponderou o líder peemedebista. "Só depois é que poderemos pedir um novo sacrifício da população", avisou.
Para Geddel, isso não significa um ato de rebeldia contra o governo. "É bom lembrar que votamos medidas impopulares para aprovar o ajuste fiscal nas crises da Rússia e da ásia, mas agora não dá para pedir novo esforço do povo brasileiro". O líder ainda rebateu as ironias do secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, que comparou a "sensibilidade" da base em não votar as medidas do governo como sendo uma novela das oito. "Telenovela é a situação que está vivendo o País", disparou Geddel.

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