São Paulo, 06 (AE) - O custo de vida do paulistano neste ano deverá ficar em torno de 3%, com deflação acumulada de 0,88% entre entre maio e dezembro. Esse prognóstico contraria as expectativas que apontavam para um índice anual entre 6% e 7% por causa do impacto da desvalorização cambial nos preços.
A previsão é da coordenadora do Índice de Custo de Vida (ICV) do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), a economista Cornélia Nogueira Porto. O órgão ligado aos sindicatos de trabalhadores apura mensalmente o Índice de Custo de Vida (ICV) para as famílias paulistanas com renda média de R$ 377,49 a R$ 2.792,90.
No mês passado, o ICV fechou com alta de 0,11%. A queda foi de 0,87 ponto percentual em relação a março. Na comparação com abril de 1998, quando o ICV foi de 0,19%, o recuo foi de 0 08 ponto percentual. Esse resultado também ficou abaixo da expectativa. A economista projetava para abril um ICV de 0,50%.
Para este mês, a economista calcula que o ICV volte a subir e fique em torno de 0,40% porque a trajetória de queda nos preços dos alimentos deve ser interrompida com a entressafra e deve ocorrer algum impacto do reajuste do salário mínimo.
De janeiro a abril, a inflação acumulada pelo ICV é de 3 67% e em 12 meses o aumento foi de 2,76%. Com isso, explica Cornélia, a taxa acumulada entre maio e dezembro do ano passado foi negativa em 0,88%. Se recessão continuar, é muito provável que o ICV tenha comportamento semelhante este ano nesse mesmo período, argumenta.
Alimentos - A redução no ritmo de alta do custo de vida em abril ocorreu especialmente por causa da retração nos preços dos alimentos, que ficaram 0,96% mais em conta, com destaque para os semi-elaborados e os alimentos in natura, cujos preços recuaram 2,61%. Habitação e educação também estão no rol dos grupos de produtos e serviços que tiveram as menores variações, com aumentos de 0,04% e 0,14%, respectivamente.
As maiores altas foram registradas nos equipamentos domésticos, que ficaram 1,50% mais caros, os gastos com saúde (1 15%), com destaque para os medicamentos e produtos farmacêuticos (2,32%), e os artigos de vestuário (0,63%).
As famílias com menor renda foram as que mais se beneficiaram das variações de preços registradas em abril porque os gastos com alimentação tiveram um recuo significativo e representam a maior fatia das suas despesas.
No mês passado, as famílias com renda média de R$ 377,49
o estrato mais pobre, tiveram deflação de 0,06%, com um recuo de 1,09 ponto porcentual na comparação com o ICV de março (1 03%).
O segundo estrato, que reúne as famílias com renda média de R$ 934,10, registrou variação 0,04% no ICV em abril, com queda de 1,01 ponto percentual na comparação com março. Já a variação do custo de vida das famílias mais ricas, que recebem em média R$ 2.792,90, subiu mais que os outros estratos em abril
0,18%. Mesmo assim, essa taxa é 0,77 ponto percentual menor que a registrada em março.
O custo da cesta básica, também apurado pelo Dieese em 16 capitais, teve comportamento heterogêneo em abril. Em nove capitais foram registrados aumentos e, em sete, houve queda. A maior baixa ocorreu em Salvador (- 4,11%) e a maior alta em Aracaju (5,43%). O custo da cesta básica vendida em São Paulo (R$ 104,54) continua sendo o mais alto do País, apesar de ter recuado 1,64% no mês passado.

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