São Paulo, 02 (AE) - O custo de vida do paulistano aumentou 0,38% em agosto, de acordo com o Índice do Custo de Vida (ICV) calculado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese). O índice foi bem inferior ao de julho, de 1,19%, mas poderia ser ainda menor não fossem os aumentos das tarifas públicas e dos preços controlados pelo governo.
Esses preços - transportes, combustíveis, gás, eletricidade - representaram uma parcela de 0,30 ponto percentual no total do índice. Os remédios e serviços médicos responderam por uma parcela de 0,06 ponto, com a terceira parcela do aumento acordado com o governo. "Os setores que sofrem concorrência não estão conseguindo subir os preços", analisa a coordenadora do índice, Cornélia Nogueira Porto.
Para este mês, Cornélia espera um índice próximo a zero porque deve ter chegado ao fim o impacto da alta desses preços autorizados pelo governo. Em setembro os alimentos devem ter uma pequena alta, mas o vestuário deve continuar pressionando o índice para baixo. Para o ano, ela espera uma inflação entre 6 5% e 7%. Até julho, o índice acumulado é de 5,89%. Em 12 meses, a alta foi de 5,80%.
Em agosto, os gastos com saúde aumentaram 1,24%, com alta de 2,01% no preço dos medicamentos e serviços farmacêuticos e de 0,95% nos gastos com assistência médica. As despesas com transporte aumentaram 1,11% - 0,67% no transporte individual e 2 13% no coletivo, com aumento do metrô e trem de subúrbio. A alimentação ficou em média 0,50% mais cara, com alta de 1,78% nos produtos in natura e semi-elaborados e queda de 0,36% nos alimentos industrializados e de 0,30% na alimentação fora de casa.
Os gastos com habitação subiram 0,42% em agosto, com alta de 0,78% nos gastos com operação do domicílio, por causa do aumento no preço do gás e da energia elétrica. O grupo que mais contribuiu para reduzir o ICV foi o vestuário, que teve queda de 2,56% por causa das liquidações de inverno nas lojas. Tanto tiveram variação negativa em agosto as despesas pessoais (-0 23%) e os gastos com educação e leitura (-0,03%), enquanto os custos com equipamentos domésticos variaram 0,09%.
O ICV também mede o custo de vida em diferentes estratos sociais. No estrato menor, com renda familiar média de R$ 377,49
a inflação de agosto foi de 0,49%, maior do que a média. No estrato intermediário, com renda média de R$ 934,17, o índice foi de 0,47%. Na parcela de renda mais alta, a inflação foi menor do que a média, de 0,31%.
Inflação do governo - Uma análise da variação do custo de vida nos primeiros oito meses do ano mostra que os preços controlados pelo governo foram os grandes causadores de inflação em 99. Esses preços subiram em média 15,09% este ano, quase o triplo da taxa média de 5,89%. Esse índice foi puxado pela alta nos preços do gás de botijão (43,5%), óleo diesel (43,2%), energia elétrica (20,2%), ônibus interestadual (15,9%), ônibus municipal (15%), metrô (13,6%) e água e esgoto (11,6%). "Alguns aumentos são injustificáveis mas os itens são de primeiro necessidade para as famílias, e a demanda não pode ser reduzida", diz Cornélia.
Os preços oligopolizados, basicamente remédios e convênios médicos, a alta foi de 13,67%, com aumento de 11,92% nos preços dos convênios e seguros e de 16,86% nos remédios e produtos farmacêuticos. Subiram acima desse índice, entretanto, os remédios de uso contínuo e de difícil substituição. Os preços do mercado concorrencial, que enfrentam redução da demanda por causa da falta de renda, tiveram um aumento bem inferior à média
de 2,88% desde o início do ano. "Existe uma inflação reprimida
mas que não pode ser repassada por causa da recessão", diz Cornélia.

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