ICMBio descarta causa natural em incêndio em Ilha Grande
Fogo no parque nacional foi controlado na quarta (21) e destruiu quase 48 mil hectares
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 23 de agosto de 2019
Fogo no parque nacional foi controlado na quarta (21) e destruiu quase 48 mil hectares
Fernanda Circhia - Grupo Folha 
Após a força-tarefa para debelar o último foco de incêndio no fim da tarde de quarta-feira (21) no Parque Nacional de Ilha Grande (Noroeste), o chefe do núcleo de gestão integrada do ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade) rio Paraná, Erick Caldas Xavier, descartou qualquer a hipótese de que a causa do incêndio tenha sido natural.
"Não foram registradas tempestades, raios e nem calor suficiente para combustão instantânea. Eram dias frios. A única situação climática era o tempo seco. Além disso, todos os focos de incêndio começaram em áreas com grande movimentação de pessoas", afirmou. Além disso, não chove na região há mais de um mês. No entanto, somente as perícias do ICMBio, Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e Polícia Federal poderão confirmar a causa do início do fogo.
As equipes do parque continuarão monitorando a área para evitar possíveis novos focos de incêndio no local, além de fiscalizar caçadores, que, segundo o chefe do núcleo de gestão integrada do ICMbio, se aproveitam da fragilidade da fauna, e também pessoas que tentam invadir o local com o intuito de construir casas e abrir roça nas áreas queimadas.
O incêndio durou cerca de dez dias e começou na praia do Pacaraí, no interior do Parque Nacional de Ilha Grande. Segundo o ICMBio, outro foco surgiu nas proximidades da lagoa Jatobá, se alastrando pela ilha. Conforme a última atualização do ICMBio, ao todo foram consumidos 47.440,62 hectares de uma área de 76.138,19, o que representa 62,31% da área do parque.
Xavier explicou ainda que incêndios são registrados no parque todos os anos. "O fogo está associado ao ecossistema do parque, no entanto, de tempos em tempos podem ocorrer esses incêndios catastróficos quando acumula muita biomassa e quando ocorrem focos em várias partes do parque. Desta vez foi na Ilha Grande e Várzea Continental. Duas semanas atrás foi na segunda maior ilha, a Bandeirantes. Assim, vão sobrando poucos refúgios para a fauna."
Caldas adiantou que as equipes constaram a presença de vários animais vivos na região, onde é possível encontrar cervos do Pantanal, onças-pardas e onças-pintadas e várias espécies de aves, uma vez que a área é região de rota migratória.
O último foco de incêndio combatido na tarde de quarta-feira (21) ameaçava algumas propriedades rurais e a lagoa Xambrê, considerada a maior do Paraná. "A lagoa Xambrê é super importante. Nós vamos começar um programa de ecoturismo e turismo rural em uma parceria muito bacana com a comunidade e produtores rurais", adiantou.
O Coripa (Consórcio Intermunicipal para Conservação do Remanescente do Rio Paraná e Áreas de Influência) divulgou nota de agradecimento após a força-tarefa realizada nos últimos dias. "A força-tarefa de combate aos incêndios do Parque Nacional de Ilha Grande contou com aproximadamente 75 corajosas almas, num esforço conjunto envolvendo o ICMBio (órgão gestor da unidade), Corpo de Bombeiros do Paraná, Batalhão de Polícia Militar de Operações Aéreas e funcionários do Parque Nacional do Iguaçu. Os bombeiros e a Polícia Militar Ambiental do Mato Grosso do Sul ficaram de prontidão para combater o fogo no lado do parque voltado ao Estado vizinho", diz trecho da nota.


