Campinas, SP, 07 (AE) - O Instituto de Criminalística (IC) de Campinas, no interior de São Paulo, encontrou resíduos de pólvora na mão direita do investigador Everaldo Biara Leite, morto no dia 12, com dois tiros no ouvido esquerdo.
Entretanto, o delegado seccional da Polícia Civil, Josué Ferreira Ribeiro, responsável pela reabertura da investigação, disse hoje que isso não é suficiente para comprovar a versão oficial de suicídio.
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico na Câmara suspeita que o investigador tenha sido assassinado.
"Ainda é muito cedo para apresentarmos uma conclusão", disse o delegado. Segundo ele, um dos fatores que põem em dúvida a versão oficial é o fato de o investigador ter recebido dois tiros na cabeça.
Os tiros foram disparados no ouvido esquerdo, mas há informações de que o policial era destro. Não está descartada a exumação do corpo para nova necropsia.
O delegado disse que pedirá explicações mais detalhadas aos legistas responsáveis pela primeira necropsia. "Queremos saber se as balas entraram ao mesmo tempo ou se houve algum intervalo entre os dois tiros", disse. Nesse último caso, segundo o delegado, a hipótese de suicídio ficaria praticamente afastada.
O legista José Eduardo Zappa, responsável pela necropsia
disse hoje que só falará sobre o caso depois de receber oficialmente os quesitos pedidos pela polícia. Ele adiantou, porém, que não se oporá à exumação do corpo para uma nova necropsia, caso isso seja necessário. "Isso é normal em nossa atividade", explicou.
No laudo, o legista informa que a morte de Leite foi provocada por "traumatismo crânio-encefálico, causado por dois disparos de arma de fogo". As balas, segundo ele, entraram pelo ouvido esquerdo e se alojaram dentro do crânio. "Foram encontrados fragmentos de metal que, aparentemente, pertencem a dois prójeteis de arma de fogo", diz o laudo.
Segundo Zappa, não cabe ao legista afirmar se foi suicídio ou homicídio. "Apontamos a causa médica da morte, mas o esclarecimento do caso depende da apuração policial", explica. "Nosso trabalho serve para auxiliar a polícia juntamente com os outros dados obtidos durante a investigação."
Leite foi encontrado em seu apartamento dois dias depois de ter morrido. Ao lado do corpo, foram encontrados dois revólveres calibre 38. Os peritos do IC, segundo Ribeiro, não conseguiram realizar o exame residuográfico na mão esquerda do investigador por causa do adiantado estado de decomposição do corpo. As armas passarão por nova perícia.
O investigador, de 34 anos, foi encontrado morto dois dias antes do empresário Willian Walder Sozza prestar depoimento à CPI do Narcotráfico. Apontado como um dos chefes do crime organizado no País, Sozza teve prisão provisória decretada, mas está foragido. O Ministério Público (MP) suspeita que a morte do policial tenha sido "queima de arquivo".
Em janeiro, o investigador havia participado da apreensão de 340 quilos de cocaína num sítio em Indaiatuba (SP). Uma semana depois, a droga foi roubada do Instituto Médico-Legal (IML) de Campinas. O delegado Ricardo de Lima, responsável pela apreensão, foi preso durante os trabalhos da CPI em Campinas. Ele é acusado ter facilitado o roubo da cocaína.

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