IC aponta falha humana em queda de acrobata
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quarta-feira, 11 de junho de 2014
Diego Prazeres<br>Reportagem Local 
Londrina - A queda que acabou matando um acrobata do circo Spetacular Tihany, no mês passado, em Londrina, ocorreu devido a uma falha humana. Foi o que concluiu o laudo técnico realizado pelo Instituto de Criminalística de Londrina. Com base em análises físicas do histórico dos movimentos realizados pelos acrobatas no número "Maca Russa" e de imagens do acidente, feitas por câmeras de segurança do próprio circo, os peritos do ICL concluíram que o acrobata carioca Wilson Gomes Barreto, de 28 anos, caiu porque ele errou o grau de angulação necessário ao fazer o salto.
O número exige que o acrobata impulsione o corpo em um balanço e salte num movimento de parábola em direção a uma rede de proteção. Para chegar à conclusão de falha humana, a equipe do Instituto de Criminalística calculou todas as velocidades angulares de lançamento possíveis. O perito criminal e engenheiro civil Luciano Bucharles, responsável pelo laudo, explicou que para que o "voo parabólico" saia sem erros o acrobata deve saltar numa angulação entre 50º e 60º, ou, na pior das hipóteses, entre 45º e 70º. Não foi o que aconteceu no caso de Wilson Barreto. "A angulação que o rapaz fez foi de 85º, quase vertical. Isso fez com que ele tivesse muita velocidade ascendente, ou seja, para cima, e pouca velocidade horizontal", esclareceu. Barreto caiu na vertical de uma altura de cerca de 10 metros, a apenas 50 centímetros da rede de proteção. "Há uma distância de seis metros entre o equipamento e a rede de proteção. Se ele tivesse tido mais velocidade horizontal teria caído na rede", acrescentou o perito.
Bucharles salientou que o motivo da perícia foi averiguar se o equipamento que o artista utilizou apresentava alguma falha mecânica. Em caso positivo, a administração do circo poderia responder criminalmente pela morte do acrobata. Ao sofrer a queda durante espetáculo realizado dia 18 de maio, Barreto foi socorrido por um médico que estava na plateia e pela equipe de paramédicos da própria empresa responsável pelo espetáculo. Em seguida, foi encaminhado consciente ao Hospital Evangélico com fratura no cotovelo e traumatismo craniano. O quadro se agravou para um edema cerebral e o artista morreu em 20 de maio.
RESPONSABILIDADES
O perito admitiu a hipótese do acrobata ter batido em algum objeto quando executou o salto as imagens da câmara de segurança não captam toda a dimensão da cena. Mas ele ressalvou que essa situação só seria possível devido ao erro no movimento realizado pelo artista. "Se ele tivesse saído do aparelho com angulação correta e batesse em alguma coisa, teríamos como precisar mesmo sem a filmagem e aí o circo teria que se responsabilizar. Mas como ele saiu muito errado, esse efeito de poder ter batido em algo fica minimizado", explicou. Em relação às condições de segurança do número acrobático, Bucharles, que contou ter assistido ao espetáculo uma semana antes do acidente, concluiu que "o dispositivo de segurança utilizado pelos acrobatas é suficiente para a realização do ato". O laudo criminalístico será anexado ao inquérito aberto pela Polícia Civil para apurar as circunstâncias da morte do acrobata.


