Rio, 20 (AE) - O Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) vai estudar na semana que vem qual a estratégia para derrubar a taxa antidumping de 63,2% imposta pelo Departamento de Comércio dos Estados Unidos para as exportações de aços carbonos laminados a frio da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Companhia Siderúrgica Paulista (Cosipa) e Usiminas. A informação foi dada hoje pelo vice-presidente-executivo da entidade, Marco Pólo de Melo Lopes.
A restrição é consequência de processo instaurado pelas empresas norte-americanas US Steel e Betlehem Steel, em maio "Não temos o detalhe final da decisão, que chegou ontem à tarde ao nosso conhecimento", contou Lopes. "Mas não nos surpreendeu
porque todos os indícios levavam para isso", lamentou.
Na avaliação do vice-presidente-executivo do IBS, a decisão demonstra a intenção da siderurgia americana de proteger-se contra qualquer risco de competição no mercado interno. "Não entendo porque o Brasil sofre este tipo de rigor - não somos líderes no mercado norte-americano, não somos formadores de preço", argumentou.
Ele lembrou que outra decisão semelhante dos EUA, contra os laminados a quente do aço brasileiro, foi condenada há 15 dias pela Organização Mundial do Comércio (OMC). A decisão foi uma resposta a uma consulta da British Steel contra o processo aberto no governo norte-americano, à qual se uniram as siderúrgicas brasileiras. A OMC, contou o vice-presidente do IBS
considerou "descabido" o argumento de que os laminados a quente eram beneficiados por subsídios e vantagens concedidas às siderúrgicas brasileiras e à britânica, quando ainda eram estatais.
Recursos - Apesar de prever recursos contra a decisão, por parte dos americanos, Lopes acredita que, a longo prazo, o parecer da OMC sirva para reverter as restrições contra os laminados a quente brasileiros - que, para evitar a sobretaxa, são vendidos a preços e cotas previamente estabelecidas aos EUA. "Uma vez definida, em última instância, que o subsídio não procede, a decisão será revertida", afirmou.