Ibre prevê que inflação vai recuar nos próximos meses
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 10 (AE) - O baixo nível de indexação da economia brasileira vai provocar a queda da inflação nos próximos meses, segundo a "Carta do Ibre", editorial do novo número da revista "Conjuntura Econômica", editada pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ). A revista tem previsão de distribuição na próxima semana. Com o título de "Temor Infundado", o editorial afasta a possibilidade de repasse integral da alta dos preços do atacado para o varejo.
"O fundamental para o acompanhamento da inflação é saber se há indexação", afirmou o economista Lauro Vieira de Faria, autor da análise. "A correção ainda existe, mas muito pouca, e onde há, como nas tarifas e títulos do governo, o reajuste é anual", responde. A atual estabilidade da política monetária e dos gastos do governo vai evitar uma alta do dólar no futuro, também impedindo a alta do custo de vida, segundo a análise.
O nível baixo de atividade econômica é outro elemento para impedir o prolongamento das taxas altas de inflação registradas em outubro e novembro, segundo Faria. "Não há nenhuma possibilidade de aumento da procura que provoque a inflação", afirmou o economista. "Isso não existe há anos na economia brasileira, desde o Plano Cruzado", lembrou, citando a capacidade ociosa da indústria em outubro - de 18%, em média, segundo a Sondagem Conjuntural do IBRE - e a taxa de desemprego, de 7,4% em setembro, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Repasse - A "Carta do Ibre" também rejeita a tese de repasse, para o consumo, da inflação captada no atacado, após a alta do dólar. O fenômeno não ocorreu em outros países que sofreram com a desvalorização, nem mesmo quando a moeda brasileira caiu em relação à norte-americana em 1980 e 1986, lembrou Vieira de Faria.
Na opinião do economista, a alta dos preços registrada no Índice de Preços do Atacado (IPA) - de 18,52% entre janeiro e novembro - representou uma correção de preços que estavam comprimidos pela sobrevalorização do real entre 1994 e 1997. O editorial lembra que 90% dos produtos do IPA são corrigidos pela moeda norte-americana.
Faria recordou que, na época do real forte, os preços no varejo aumentaram 131,3%, enquanto os do atacado, apenas 82,5%. "Agora que houve a desvalorização, o movimento é inverso", concluiu. Para os economistas que, neste ano, previram que o IPA iria contaminar os Índice de Preços ao Consumidor (IPCs), que medem a inflação no varejo, o economista aconselhou: "eles deveriam ter dito porque o IPC não puxou o IPA, antes da desvalorização".


