Ibre diz que reajuste recompõe mínimo ao nível de um ano atrás
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quinta-feira, 29 de abril de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 30 (AE) - O reajuste de 4,6% do salário mínimo recompõe, na opinião dos analistas do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas, o poder de compra dos salários de um ano atrás. Na Carta do Ibre divulgada hoje, dedicado ao tema "Salário mínimo e inflação", os técnicos condenam as propostas de elevação do salário para o equivalente a US$ 100, alegando que isto traria aumento do desemprego e explosão dos gastos públicos.
"Como o governo vai conseguir convencer a população disso é uma questão política", diz o economista Lauro Faria, redator-chefe da revista Conjuntura Econômica, do Ibre. "Mas em termos puramente econômicos, não há como dourar a pílula", advertiu. Segundo ele, mesmo um "acréscimo módico" de 5% nos salários representa aumento de despesas do INSS em R$ 120 milhões por mês, já que dois terços dos beneficiários recebem até um mínimo em aposentadorias e pensões. No orçamento deste ano, estes benefícios correspondem a R$ 15,7 bilhões.
O principal efeito, segundo Faria, não está no setor privado, mas no público. Mas, não seria viável a criação de dois parâmetros de salário mínimo. "A solução é a livre negociação e a retomada do crescimento", defende. "A fixação de um piso não impede que o salário suba, apenas evita que caia", comentou. De acordo com os dados listados na Carta do Ibre, editorial da revista, a defesa de políticos e sindicalistas para elevar o salário para US$ 100 é encarada com romantismo. "No mundo real, não bastam as boas intenções", diz o texto.
Reconhecendo que, desde sua criação, o salário mínimo perdeu cerca de 70% do poder de compra, o editorial afirma que estudos já demonstraram que um salário mínimo elevado frequentemente prejudica aqueles a quem se destinava auxiliar. "O resultado líquido costuma ser a elevação da taxa de desemprego, em virtude da redução da procura por trabalho pelas firmas e do aumento da oferta de trabalhadores, não passível de absorção pelas empresas."


