Ibope aponta que 45% rejeitam FHC por causa do desemprego
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quarta-feira, 01 de setembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo e Clarissa Thomé 
Rio, 02 (AE) - Pesquisa do Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) realizada entre os dias 19 e 23, com 2 mil entrevistados, em todo o País, aponta que 45% rejeitam a administração do presidente porque ela não combate o desemprego e não incentivou a indústria; 37%, porque há falta de combate à inflação, e 24%, porque o governo não conseguiu melhorar os salários.
"O que a pesquisa revela é que a sociedade está em sintonia com a oposição e a própria base governista quando criticam a ausência de um projeto claro de desenvolvimento para o País", afirma a diretora do Ibope-Opinião, Márcia Cavallari, ressaltando que a consulta foi feita antes do anúncio do Plano Plurianual (PPA), na terça-feira (31).
Para 17% dos entrevistados, o motivo da rejeição a Fernando Henrique deve-se à falta de investimentos na saúde. Outros 14% consideram que ele não está fazendo uma administração boa ou "não está fazendo nada".
As respostas ao porque da impopularidade do presidente foram dadas por 1.049 dos 2 mil entrevistados da base da pesquisa. O total supera 100% porque cada entrevistado pôde citar mais de um motivo. A margem de erro é de 2 pontos porcentuais para cima ou para baixo Segundo o Ibope, não houve mudança na avaliação do governo Fernando Henrique em relação à última pesquisa, encomendada para a Confederação Nacional da Indústria (CNI), em julho. A administração tucana é considerada ruim ou péssima para 52%. Outros 29% acham que é regular; 13%, bom; e apenas 2%, ótima. Dos entrevistados, 3% não souberam ou não quiseram responder.
Para o cientista político Rogério Schmitt, da Universidade de SãoPaulo (USP), os dados mostram que o governo Fernando Henrique "chegou ao fundo do poço".
"Isso indica o estado de espírito da população, mas esse resultado pode mudar, dependendo do impacto do anúncio do programa Avança Brasil (PPA)", afirmou. O cientista político acredita numa tendência gradativa de recuperação porque o governo federal "não tem mais para onde cair".
Schmitt acredita que a recuperação do presidente será mais lenta do que ele espera. "Esse resultado não é tão importante porque não se trata de um ano eleitoral", afirmou. Ele lembrou ainda que, nos Estados Unidos, a taxa de popularidade dos presidentes reeleitos é , geralmente, baixa no início do segundo mandato. "É uma espécie de inferno astral", disse.


