Rio, 12 (AE) - O parque industrial de São Paulo, duramente atingido no ano passado pela alta dos juros e pela desvalorização cambial, chegou a novembro com queda acumulada na produção de 5,5%. Foi o Estado que mais reduziu a produção, com um saldo bastante inferior à média nacional, de -1,5%, conforme divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O resultado, segundo a gerente de Análise de Dados da Indústria, Miriam Ferreira, nada teve a ver com a guerra fiscal travada entre os Estados por novos investimentos, que ainda não apresentou reflexos na pesquisa. Foi uma consequência do perfil da indústria paulista, que tem predominância na produção de bens de consumo duráveis, com tecnologia de ponta. Particularmente neste setor o aumento dos juros teve impacto desastroso.
Mas, apesar do fraco resultado no acumulado de janeiro a novembro, São Paulo já registra recuperação com relativa rapidez. Em novembro houve, pelo segundo mês consecutivo, expansão na produção: a indústria cresceu 3,3% e a redução no ano, que chegara a 8,2%, diminuiu quase três pontos percentuais. "Juros altos têm efeitos diferentes, por exemplo, na indústria automobilística e na indústria alimentícia, porque ninguém deixa de comer por causa de dificuldades de financiamento, mas deixa de trocar de carro", compara Miriam.
Em contraste a São Paulo, a indústria nos Estados do Espírito Santo, Rio de Janeiro e Minas Gerais registraram crescimento no acumulado do ano até novemrbo, respectivamente de 8,8%, 5,9% e 0,4%. O desempenho excepcional do parque capixaba deveu-se também ao perfil de sua produção, voltada basicamente para a exportação e, portanto, beneficiada pela desvalorização cambial. No Rio, a ascenção da indústria do petróleo continua a puxar bons resultados e, em Minas, Miriam aponta a melhora da indústria automobilística voltada para as vendas externas, que transformou o resultado negativo de 4,1 do primeiro semestre para um saldo positivo no fim do ano.
Segundo a analista, caso os dados coletados em dezembro repitam o mesmo desempenho de novembro, a queda na produção industrial nacional de 99 será de 1%. Será o segundo resultado negativo consecutivo, já que em 98 houve redução de 2,1%, mas, de qualquer modo, a retração é menor do que se previa. Em 1997, o crescimento industrial, ainda não impactado pela série de crises internacionais iniciada pelos países asiáticos em outubro daquele ano, foi de 3,9%.
"Ainda não dá para saber se este ano a indústria terá fôlego para retomar o nível de crescimento de 97", diz Miriam. Ela acredita, porém, que neste primeiro trimestre de 2000 o desempenho será melhor do que o de igual período do ano passado, que foi muito ruim por causa da crise cambial. "Nos trimestres seguintes, em 99, a indústria começou a ensaiar recuperação e a questão agora é saber se nos demais trimestres do ano poderemos superar os resultados de 99", comentou.
Os resultados de novembro do ano passado foram, em praticamente todos os Estados, melhores do que o do mesmo mês de 98. O único a registrar queda na comparação foi o Paraná, que recuou 7,5%, muito por causa da produção de material elétrico e de comunicações. "No ano anterior houve um grande investimento em caixas bancários eletrônicos, que não continuou no ano seguinte, por isso a retração", explicou Miriam.
A expansão de 3,3% na indústria paulista em novembro foi o melhor resultado desde junho de 1998, no tipo de confronto mês a mês. Os indicadores mostram crescimento em 12 dos 20 setores investigados. Os principais impactos positivos vêm de material de transporte (33,5%) e de metalurgia (13,1%), setores que nos meses finais de 1998 foram bastante atingidos pela redução da demanda interna por conta da elevação nas taxas de juros. A maior queda foi da indústria química (8,9%).