Rio, 26 (AE) - A taxa de desemprego em março foi de 8 15%, segundo divulgou hoje o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O índice ficou 0,64 ponto percentual acima do apurado em fevereiro, nas seis regiões metropolitanas onde a pesquisa é feita (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre). A taxa acumulada no primeiro trimestre foi de 7,79% - o resultado mais alto já registrado pelo IBGE nos primeiros três meses do ano, desde que o instituto começou a medir o nível de emprego, a partir de maio de 1982.
A consultora econômica do IBGE Shyrlene Ramos de Souza chamou a atenção para a queda de 5,5% do número de pessoas que estão no mercado de trabalho, empregadas ou não, entre o primeiro trimestre deste ano e o do ano passado. A maior queda, de 6,2%, aconteceu no setor de indústria de transformação. No comércio, a redução foi de 0,5%. "Os setores que absorviam mão-de-obra já não fazem mais isso", alertou a economista. O número de desempregados no primeiro trimestre, nas seis regiões metropolitanas pesquisadas, foi de 1,360 milhão - 27 mil a mais do que o medido pelo IBGE no mesmo período no ano passado.
Entre janeiro e março deste ano e o mesmo período do ano passado, o número de trabalhadores com carteira assinada caiu 3 3%, enquanto houve aumento de 4% dos empregados sem carteira assinada e de 1,8% do número de pessoas que trabalham por conta própria. Na comparação entre os dois períodos, a quantidade de pessoas procurando emprego que nunca haviam trabalhado antes aumentou 11%.
O contingente de chefes de domicílio que procuram emprego também aumentou, dos 27,63%% apurados entre janeiro e março de 1998 para 28,07% registrados no primeiro trimestre deste ano. Também aumentou o tempo médio de procura por emprego, de 20 semanas e 51 dias, calculado no início do ano passado, para 21 semanas e 16 dias. O percentual de pessoas que procuram empregos há mais de dois meses, entre o total de desempregados, subiu de 13,61% para 14,38%.
Previsões exageradas - Shyrlene explicou que a desvalorização do real impediu a redução do número de trabalhadores desempregados. "O fato de a taxa de desemprego continuar alta é um reflexo, porque no ano passado tivemos os maiores índices da história", afirmou. A consultora do IBGE afirmou que o índice de desemprego deve continuar alto no primeiro semestre, mas deve recuar na metade final do ano, se continuar a tendência de superação da crise econômica.
"As previsões de desemprego de 12% a 14% são exageradas e não vão se concretizar", ressalvou a economista. "Daqui para a frente, há indicadores de que a taxa de desemprego não vai subir como muitos esperam, embora continue alta", analisou Shyrlene. Ela lembrou que, tradicionalmente, o primeiro semestre do ano registra taxas de desemprego maiores.
Na divisão pelas regiões metropolitanas pesquisadas, Salvador (BA) continua a ser a capital com o maior número de desempregados (9,86%). A seguir, ficou São Paulo, com índice de desemprego de 8,87%, seguido de Recife (8,78%) e Belo Horizonte (8,73%). Todos os índices têm como referência a última semana do mês, que, segundo o IBGE, reflete com maior precisão a situação do mercado de trabalho.

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