A safra agrícola deste ano deverá crescer 4,85% em relação a 1998, um ano que foi particularmente ruim, com perdas de lavouras de feijão e arroz, o que forçou o País a aumentar as importações e o consumidor a pagar mais caro pelos produtos. Na primeira estimativa de 1999 divulgada ontem, no Rio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a previsão é de produção de 78,620 milhões de toneladas.
O resultado da produção terá impacto direto no cálculo do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), já que o item ‘‘alimentação e bebidas’’ tem peso de 31% na avaliação do índice. ‘‘Se tivermos uma boa safra, a oferta de produtos será maior, o que provavelmente puxará os preços para baixo, o que pode amenizar os efeitos da mudança cambial sobre a inflação do ano’’, comenta o chefe do Departamento de Agropecuária do IBGE, Carlos Alberto Lauria.
Pela previsão do Instituto de Meteorologia, não estão sendo esperadas fortes alterações climáticas para este ano. Somados às informações sobre o plantio, os dados levam à expectativa de uma boa produção. Mas Lauria lembra que a estimativa divulgada ontem ainda não leva em conta os efeitos da mudança cambial sobre as importações de insumos agrícolas. ‘‘O que temos até agora é muito preliminar’’, diz ele.
A estimativa do IBGE é bem inferior à previsão de produção de 83 milhões de toneladas feita pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para este ano e que, se confirmada, baterá recorde histórico. A maior safra já conseguida no Brasil foi em 1995, um ano depois da criação do Plano Real, com 79,3 milhões de toneladas. Para os cálculos dos dois institutos foram utilizados métodos distintos, por isso os resultados diferentes. O IBGE tomou como base a safra atípica do ano passado e a Conab, a de 1997, considerada ‘‘normal’’.
De acordo com o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA) divulgado pelo IBGE, o feijão, que foi um dos principais responsáveis pelo fraco desempenho agrícola no ano passado, terá um crescimento de produção de 31,8%. É esperado um volume de 1,2 milhão de toneladas, que se aproxima mais da safra de anos anteriores, em torno de 1,4 milhão. A do ano passado, de cerca de 1 milhão foi motivada pela seca ou chuvas em excesso nos Estados produtores.
A variação dos nove principais produtos, entre cereais, legumes e oleaginosas (soja, amendoim, mamona, algodão e girassol) são as seguintes: algodão herbáceo, 9,06%; arroz em casca, 38,24%; batata inglesa, 12,23%; cana-de-açúcar, 0,14%; cebola, 5,30%; feijão em grão, 31,8%; laranja, -18,69; milho em grão, 6,78%, e soja em grão, -2,47%.

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