O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), fez, pela primeira vez, um estudo completo sobre os indicadores sociais do Brasil, cruzando dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 1997, com informações dos Ministérios da Saúde, da Educação, Registro Civil, Tribunal Superior Eleitoral e outras fontes. O resultado, divulgado ontem, no Rio, aponta o crescimento da violência - especialmente na Região Sudeste - desigualdade social e o avanço da aids. Os dados positivos são a melhoria da qualidade de vida e o crescimento da população idosa, o aumento da escolaridade e a redução da mortalidade infantil.
‘‘O Brasil é um país injusto, com péssima distribuição de renda, mas tem registrado melhorias em suas condições sociais’’, disse o presidente do IBGE, Sérgio Besserman. Segundo o coordenador do estudo, Luiz Antonio Oliveira, chefe do Departamento de Pesquisas do IBGE, foram usados padrões da Comissão de Estatística da Organização das Nações Unidas (ONU) para formular a pesquisa.
O número absoluto de idosos no Brasil é um dos maiores do mundo: 13,5 milhões. De acordo com a pesquisa Síntese de Indicadores Sociais, as pessoas com 60 anos ou mais representam 8,7 % da população do País. Projeção do IBGE mostra que em 2020 o número de pessoas com 60 anos ou mais deve dobrar, chegando a 27 milhões. Em países desenvolvidos os idosos são mais de 15% da população.
‘‘Isso muda não só o perfil da previdência mas também o da saúde’’, afirmou o Luiz Antônio Oliveira. A redução das taxas de mortalidade e fecundidade e o consequente aumento da expectativa de vida são os principais responsáveis pela alteração da estrutura etária da população, segundo análise dos técnicos do IBGE.
Enquanto na década de 70 a média de filhos por mulher era de 5,76, em 1996 esse número caiu para 2,24. Quanto menos instruídas as mulheres, maior o número de filhos. Entre as de mais baixa instrução, a média é de 3,4 crianças, contra 1,7 para as mais instruídas. Há diferenças também por regiões. No Nordeste, a média chega a 3 enquanto no Sudeste, não passa de 2. A disparidade, no entanto, diminuiu muito. Nos anos 70 a média no Nordeste era de 7,5 para 4,5 no Sudeste.
A taxa de mortalidade infantil também caiu muito. Na década de 80, para cada mil crianças nascidas no País, cerca de 75 morriam antes de completar um ano de vida. Em 1996, o número de mortos era de 37 em mil. A diferença entre as regiões, no entanto, permanece alta. Em alguns estados do Nordeste, como Alagoas e Paraíba, os indicadores revelam uma mortalidade próxima à da década de 80: 70 por mil.
Em média, a expectativa de vida do brasileiro é de 67 anos e oito meses. As mulheres, no entanto, vivem bem mais do que os homens. São 71 anos e sete meses para elas contra 64 anos e um mês para eles. A razão para isso, segundo os técnicos, é a violência urbana, que vitima mais pessoas do sexo masculino.

mockup