IBGE estima safra agrícola recorde este ano
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Maria Fernanda Delmas 
Rio, 26 (AE) - O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima uma safra agrícola recorde para este ano, diminuindo a necessidade de importação de alimentos. Os dados preliminares de julho indicam uma produção anualizada de 83,066 milhões de toneladas de cereais, leguminosas e oleaginosas, 10,49% acima da safra de 1998, de 75,178 milhões.
Os dados finais revisados não devem ser tão altos, porque os técnicos já esperam problemas no restante das colheitas (faltam 15%), em função de alterações climáticas. Mesmo assim, o chefe do departamento de agropecuária do IBGE, Carlos Lauria, afirma que a safra deve ficar acima dos 80 milhões de toneladas, garantindo o recorde. A safra que mais chegou perto desse número foi a de 1995: 79,4 milhões.
Um dos destaques é o crescimento de 55% na produção de arroz, puxado pelo aumento de 56,5% no Rio Grande do Sul, que responde por 46% da safra do produto e no ano passado registrou perdas nas lavouras. O Brasil colheu 7,7 milhões de toneladas de arroz em 1998 e este ano deve chegar a 11,7 milhões, suprindo a demanda interna. As importações de arroz no ano passado totalizaram US$ 593 milhões, 1,03% do total das importações da balança comercial.
Com essa safra, o País também deve ficar abastecido de feijão. O IBGE espera ainda uma redução dos volumes de importação de algodão e milho.
A contrapartida do aumento nas exportações, entretanto, não deve acontecer, porque, além dos preços deprimidos dos commodities, a produção dos principais itens destinados ao mercado externo está encolhendo. A colheita da soja terá uma redução de 1,7% e também haverá problemas na safra da laranja, sobretudo por causa de doenças nas lavouras de São Paulo.
Para encerrar a safra, faltam as colheitas das culturas de inverno, como trigo, cevada e aveia, e segundas e terceiras colheitas de milho e feijão. A segunda safra de milho no Mato Grosso e em Goiás será prejudicada pela falta de chuva nos Estados. No Paraná, que responde por 70% da produção nacional de trigo, o frio e as geadas afetarão a colheita.
A safra já deveria ter sido recorde no ano passado, segundo Lauria, não fosse a quebra no Nordeste, responsável por 10% da safra. Este ano, a região aponta recuperação, com crescimento de 49,23%. Nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e no Estado de Rondônia, com uma fatia total de 90% da produção, o crescimento deverá ser de 7,51%.


