Rio, 11 (AE) - A inflação de abril ficou em 0,03%, pelo cálculo da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e 0,47%, pela medição feita no Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além da diferença tecnicamente desprezível, que deixa os dois índices perto de zero, as duas taxas trazem em comum uma queda substancial em relação aos registros de fevereiro e de março.
Isto fez com que os técnicos responsáveis pelo cálculo do índice nos dois institutos considerassem "absolutamente plausível" a projeção anunciada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, de 7% de inflação para o consumidor este ano.
"A tendência mais provável é de que haja, a partir de agora, um reaquecimento da economia, o que fará com que a inflação oscile entre zero e 1% ao mês", estimou o chefe do Centro de Estudos de Preços da FGV, Paulo Sidney de Mello Cota, depois de divulgar a taxa de abril do Índice Geral de Preços (IGP-DI).
Ele atribuiu esta perspectiva à associação de fatores favoráveis, como a estabilização do câmbio, a aceleração na redução dos juros e o aumento da base monetária determinado pelo governo. Numa estimativa mais pessimista, a economia voltaria a registrar seguidas taxas de deflação, agravando os aspectos de uma recessão.
A FGV reduziu no último mês em dois pontos porcentuais sua estimativa de inflação para o ano e agora trabalha com uma taxa de 12%. Esta é a projeção para o índice geral, o IGP, que inclui, além dos preços ao consumidor (IPC), os preços no atacado (IPA) e os da construção civil (INCC). No acumulado dos quatro primeiro meses do ano, o IGP ficou em 7,75% e a maior contribuição para esta inflação veio dos preços de atacado.
Para se ter uma idéia, o acumulado dos preços no atacado está em 11,39%, enquanto o dos preços ao consumidor, 3,57%. "Isto significa que os repasses de custos não são permitidos no atual cenário da economia", explica Cota.
A chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE, Márcia Quintslr, considera um dos principais termômetros dessa nova fase os preços dos alimentos, que, em abril, tiveram queda de 2,02% em relação aos índices de março, segundo os cálculos do instituto.
Na composição do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), a queda nos preços dos alimentou foi tão intensa que conseguiu anular o efeito do aumento dos combustíveis, especialmento o da gasolina, que subiu, em média 5,65% para o consumidor final, segundo as estatísticas do IBGE.
"Não temos expectativa de que a inflação ultrapasse os 5% no primeiro semestre", diz Márcia. Ela classificou de "muito forte" a queda de 0,81 ponto porcentual da inflação de março para abril.
Com o resultado divulgado hoje, o acumulado do INPC nos últimos 12 meses ficou em 3,88%, praticamente a mesma taxa verificada nos 12 meses imediatamente anteriores (3,86%). Já o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), também do IBGE, que mede inflação com base no consumo de famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos, ficou em 0,56% em abril. O acumulado do ano foi de 3,45%.
A Fundação Getúlio Vargas, por sua vez, apurou que em abril o Índice de Preços no Atacado ficou em -0,34%; o Índice de Preços ao Consumidor, 0,52%, e o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), em 0,52%.

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