Começa hoje, com uma pesquisa no Palácio da Alvorada, a ser respondida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, o mais completo censo do País. Os 180 mil recenseadores percorrerão 42,5 milhões de domicílios aplicando 38 milhões de questioiários básicos, com 19 quesitos, e 4,5 milhões de questionários mais completos, com 90 itens. O presidente do IBGE, Sérgio Besserman Vianna, estima que menos de 1% dos domicílios (ou 425 mil residências) deixe de ser recenseado. ‘‘Há domicílios que escapam à contagem, mas será o menor número possível’’, diz Besserman.
A pesquisa domiciliar vai até outubro e, em dezembro, o IBGE espera divulgar o número de habitantes do País e de cada um dos 5.507 municípios brasileiros. As estimativas são de que a população brasileira seja de 167 milhões de pessoas.
No censo não será contada a população de rua. ‘‘O censo é domiciliar e, portanto, quem não tem domicílio não é pego; para esta população, há pesquisas específicas’’, explica o presidente do IBGE. Brasileiros que moram no exterior também não entram na contagem. ‘‘Se o número de habitantes for menor do que a estimativa, uma das possibilidades é que tenha aumentado a população que vive fora do País’’, diz o presidente do IBGE.
Quando for divulgado, o resultado do censo revelará informações sobre a população na data de hoje, 1º de agosto de 2000. O questionário de 90 quesitos servirá para o mais completo retrato da situação econômica e social já feito no País. Atualmente, o maior levantamento é a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), que percorre 100 mil residências.
A amostra do censo irá a 4,5 milhões de domicílios para saber informações tão variadas como condições de saneamento, número de cômodos da casa, aparelhos domésticos, tipo de trabalho, renda, cor, religião, se há portadores de deficiência, se há contribuintes da Previdência, dados da escolaridade de crianças até cinco anos e informações sobre os brasileiros que têm seus próprios negócios.
O questionário da amostra, diz o presidente do IBGE, é um dos maiores do mundo. ‘‘Atribuo isso à democratização do País e à estabilização da economia, que fizeram explodir a demanda por perguntas sobre a situação brasileira’’, afirma o economista.
O censo foi planejado durante três anos e, só em 2000, vai consumir R$ 510 milhões. Os recenseadores terão crachá de identificação, com foto, número de identidade e da inscrição no IBGE. Os dados dos pesquisadores poderão ser conferidos pelo telefone 0800218181.

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