Rio, 01 (AE) - O índice de desemprego em abril foi de 8 02% nas seis maiores regiões metropolitanas do País, de acordo com a Pesquisa Mensal de Emprego (PME) divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pequena queda em relação à taxa de 8,16% de março foi resultado do aumento de 2,02% do número de "trabalhadores em desalento" - termo usado pelo IBGE para identificar demitidos que desistiram de procurar nova colocação.
Estas pessoas deixaram de pertencer à População Economicamente Ativa (PEA) - o contingente de trabalhadores em relação ao qual se mede o índice. De março para abril, a PEA reduziu-se em 0,25%, e ficou em 17,5 milhões. O número de pessoas inativas aumentou em 5,9% na comparação de abril deste ano com o mesmo mês de 1998, ficando em 13,3 milhões, nas seis regiões.
A pesquisa também mostrou queda de 4,3% do rendimento real dos trabalhadores empregados, de fevereiro para março. Na comparação com o mesmo mês do ano passado, a perda do rendimento médio real foi de 4,71%, e no acumulado do primeiro trimestre, a redução foi de 4,77%. De acordo com o IBGE, apenas os trabalhadores sem carteira de trabalho assinada tiveram aumento de renda, de 2,43%.
Semelhanças - Os índices de desemprego registrados no início do ano são comparáveis aos registrados entre fevereiro a maio de 1984 e março a julho de 1998, quando foram registradas as maiores taxas de desemprego pelo IBGE, afirmou hoje a chefe da Divisão de Pesquisa Mensal do Departamento de Estatística de Emprego e Rendimento do IBGE, Marileni Silva Mansoldo. A taxa média de desemprego de janeiro a abril, de 7,8%, foi praticamente igual à do mesmo período em 1998, de 7,69%.
Embora tenha sido o primeiro crescimento a ser registrado desde dezembro, quando o desemprego baixou para 6,32% por causa das contratações do comércio para o Natal, a taxa de 8 02% foi a pior já registrada no quarto mês do ano, desde que o IBGE começou a divulgar a PME, em 1983. De acordo com o IBGE, existiam em abril 1,4 milhão de desempregados nas regiões metropolitanas em que a pesquisa é realizada. A queda da PEA em abril, na comparação com o mesmo mês de 1998, foi de 0,91%.
Marileni explicou que a taxa de desemprego na indústria deve reduzir-se no segundo semestre porque, tradicionalmente, o consumo no fim de ano aumenta a produção. A indústria deve voltar a contratar no início do período e o comércio, no fim deste ano. A taxa de desemprego de 8,84% da indústria em abril, na comparação com o resultado de 9,21% do mês anterior, mostra que o ritmo de demissões está diminuindo no setor.
Rendimentos - Marileni explicou que a queda geral da renda real dos trabalhadores, com exceção dos que estão na economia informal, é um indício de que as demissões também têm atingido trabalhadores de alta renda. A perda vem ocorrendo desde maio do ano passado. No acumulado do primeiro trimestre, a maior queda da renda real foi na construção civil, de 8,83%, seguido do comércio (-6,52%) e da indústria de transformação (-5 55%).
Na divisão por tipo de emprego, apenas os trabalhadores sem carteira assinada tiveram um pequeno ganho, de 0,21%, em seus rendimentos reais. Os empregados com carteira assinada sofreram redução de 2,36%, e os trabalhadores por conta própria viram seus rendimentos diminuírem em 8,59%. Em relação ao início do Plano Real, em julho de 1994, houve aumento de 23,47% da renda no fim do primeiro trimestre deste ano. Mas no mesmo período em 1998, o ganho havia sido de 29,66%.

mockup