Arquivo FolhaEm cinco anosPercentual de crianças de 7 a 14 anos fora da escola caiu 4,6%O Brasil tem mais crianças na escola, menos analfabetos e maior nível de instrução do que há quatro anos. Mas, ainda assim, apresenta um quadro ruim quando a escolaridade avança até o segundo grau. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional de Amostra por Domicílio (Pnad) de 1996, que o presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Simon Schwartzmann, divulga hoje.
Os avanços são visíveis. Em 1992 o percentual de crianças de 7 a 14 anos que não estavam na escola era de 13,4%. Na nova PNAD, a taxa caiu para 8,8%. ‘‘Isso demonstra que o maior problema hoje, no Brasil, não é mais o do acesso à escola ou, pelo menos, à 1ª série do 1º grau’’, diz o pesquisador Ruben Klein, do Laboratório Nacional de Computação Científica (LNCC).
Especialista em estatísticas sobre educação básica, Klein diz que, em 1995, segundo os dados da PNAD daquele ano, a taxa de participação da população na 1ª série era de 97%. ‘‘Considerando-se que pelo menos 1% de qualquer população é de deficientes físicos e mentais e não segue o ensino regular, temos de colocar apenas mais 2% de crianças na escola, que estão, na maioria, nas áreas rurais’’, afirma. Não à toa, a mais baixa taxa de escolarização é no Nordeste (86,4%), onde é forte o peso das regiões rurais.
Dá para comemorar também a queda do índice de analfabetismo na população de dez anos ou mais: passou de 16,5% para 13,8%. Na faixa entre 10 e 14 anos, caiu de 12,4% para 8,3% - mas 80% dos analfabetos dessa idade estão no Nordeste. ‘‘Os índices do analfabetismo vêm despencando num reflexo da expansão da rede escolar, que começou nas décadas de 50 e 60’’, avalia o coordenador de Planejamento e Políticas Públicas do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Divonzir Arthur Gusso. ‘‘Na faixa entre 15 e 29 anos, que é a mais importante, pois nela acontece a inserção no mercado de trabalho, o analfabetismo não deve chegar a 6%.’’
O nível de instrução da mulher, segundo a PNAD 96, é mais alto do que o da população masculina. O contingente de homens com 10 anos ou mais que concluíram o 2º grau passou de 13,4% em 1992 para 15,1%, enquanto que o de mulheres subiu de 14,7% para 17,3%. Os dois especialistas discordam da metodologia do IBGE, que utiliza o critério de ‘‘dez anos ou mais’’. Para eles, isso provoca uma certa distorção dos dados, especialmente no caso dos números relativos ao segundo grau. A PNAD apontou que subiu de 14,1% para 16,2% o percentual de pessoas de dez anos ou mais que concluíram o 2º grau - como são necessários, no mínimo, 11 anos de estudos, seria preciso imaginar uma vida escolar intra-uterina para que uma criança de 10 anos terminasse o segundo ciclo.
‘‘No Brasil, as estatísticas mostram que nem 15% dos estudantes terminam o 2º grau com 17 anos, a idade normal’’, afirma Klein. Ele prefere trabalhar com o percentual máximo de participação da população no ano escolar. Traduzindo: até 25/27 anos, chega-se ao auge da taxa de participação na 3ª série do 2º grau, que é de 27% (segundo dados da PNAD 95). Ou seja, o País teria, na verdade, um máximo de 27% de pessoas com 2º grau completo - um número sofrível, mas melhor do que os 16,2% do IBGE.
Nos cálculos de Klein, se as taxas de evasão e repetência mantiverem-se constantes - e, na verdade, vêm caindo sistematicamente -, 42% das crianças que estão entrando hoje na escola, aos 7 anos, vão completar o 2º grau em 2008.
‘‘As estatísticas mostram um quadro promissor, mas é preciso reforçar o compromisso com o sucesso do aluno, em mantê-lo na escola’’, diz Klein. ‘‘E o que os números não apontam é a qualidade desse ensino: podemos ter um contingente completando o 2º grau com um baixo nível de informação’’. Raciocínio complementado por Gusso: ‘‘Mais do que qualificar um trabalhador em termos econômicos, para melhorar sua posição no mercado, o 2º grau é um instrumento de qualificação política e social’’.(Agência Estado)

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