IBGE aponta inflação de 0,95% em novembro
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sexta-feira, 10 de dezembro de 1999
Por Gustavo Alves 
Rio, 10 (AE) - A inflação de novembro ficou em 0,95%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) - adotado para fixar as metas de inflação que o Banco Central (BC) tem de atingir neste e nos próximos dois anos. Embora a taxa tenha caído em relação a outubro, quando chegou a 1,19%, o índice acumulado de janeiro a outubro chegou a 8,29% - número já superior à meta de 8% deste ano para o BC.
A meta foi ultrapassada, mas é pouco provável que a inflação deste ano supere os 10% - o limite da margem de erro para a política monetária do BC. Para que este teto fosse atingido, seria preciso que o IPCA de dezembro ficasse em 1,57%. Mas a gerente do Sistema de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, acredita que é mais provável que a inflação caia neste mês em relação à novembro.
As razões enumeradas para o recuo da inflação neste mês são os menores reajustes dos alimentos, como ocorreu em novembro
a baixa probabilidade de aumento dos combustíveis e o fato de os preços das roupas e calçados terem tido seu "pico" ainda em outubro. "Por essas características, podemos admitir uma queda", declarou.
Altas de maior influência - As variações dos preços dos alimentos e dos combustíveis contribuíram com 0,67% do índice total de 0,95% do IPCA. E, embora o reajuste de 1,35% dos alimentos em novembro tenha sido inferior aos 1,77% de outubro, o grupo de produtos ainda teve peso de 0,30 ponto percentual no índice. Os aumentos da gasolina (4,60%) e do álcool combustível (30,3%) tiveram maior peso e contribuíram com 0,37%.
Itens que tiveram grandes reajustes em outubro reverteram a tendência em novembro. A alta do vestuário foi de 0 61%, variação menor do que a de 1,04% do mês anterior. Os preços dos remédios, que subiram 0,40% em outubro, aumentaram apenas 0 24% em novembro. Na comparação de um mês para outro, houve escalada nos aumentos dos artigos de residência (de 0,34% para 0 91%) e no grupo habitação (0,02% e 0,43%).
Em São Paulo, os reajustes abaixo da média do vestuário (0,06%), alimentos (0,83%) e habitação (0,3%) fizeram com que o IPCA ficasse em 0,83%. A taxa foi a terceira menor entre as dos locais pesquisados pelo IBGE para a elaboração do índice (as maiores nove regiões metropolitanas do País além de Goiânia e do Distrito Federal).
Comportamento - Eulina avaliou que a inflação, neste ano
sofreu pressões diferentes no primeiro e no segundo semestre. Na primeira metade do ano, o IPCA foi pressionado pela desvalorização do real, com grandes aumentos dos alimentos em fevereiro - especialmente os cotados em dólar - e nos outros produtos em seguida. "O impacto foi absorvido até maio", contou.
No segundo semestre, o maior impacto no índice foi provocado pelos problemas climáticos, que prolongaram a entressafra e causaram nova alta dos alimentos. O reajuste das tarifas públicas, principalmente em julho e agosto, também elevaram o IPCA na segunda metade do ano. "Talvez os índices tivessem sido menos pressionados se não houvesse o reajuste dos alimentos, mas tivemos também pressão forte dos combustíveis e energia elétrica", lembrou.
INPC - O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,94% em novembro, segundo o IBGE. O número também foi menor do que o de outubro, quando a taxa chegou a 0,96%. O INPC mede o custo de vida de famílias com renda entre um e oito salários mínimos, enquanto o IPCA acompanha a inflação para famílias que recebem de um a 40 salários mínimos por mês. O INPC acumulado neste ano está em 7,36%.


