Rio, 12 (AE) - A inflação de janeiro, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), foi de 0,65%. Este indicador, que apura a variação de preços de produtos consumidos por famílias com renda mensal de um a oito salários mínimos, ainda não reflete o impacto da desvalorização do câmbio, segundo a chefe do Departamento de Índices de Preços do IBGE, Márcia Quintslr. A previsão é a de que fevereiro mostre o repique de preços causado por repasses da alta do dólar. Apesar de os técnicos do IBGE não definirem estimativas de taxas, a certeza é de que o INPC de fevereiro ficará bem acima do registrado no mês passado. Desde julho de 1994, início do Plano Real, o INPC acumula alta de 71,63%, segundo o IBGE.
A expectativa do instituto em relação à inflação acumulada este ano também não define taxas. Márcia Quintslr acredita que os argumentos de analistas que prevêem inflação anual de 10% são mais factíveis do que os que estimam variações de preços acima de 35%. Ela lembrou que a análise de quem espera inflação de 10% baseia-se na perspectiva de estabilização do dólar e em um quadro recessivo para o consumo, que naturalmente freará altas excessivas de preços. A técnica do IBGE lebrou ainda que a política monetária do Governo está sendo traçada com vistas a administrar a inflação, o que conota a possibilidade de controle das taxas.
A coordenadora do mesmo departamento, Eulina dos Santos, comenta que a perspectiva é de que haja uma bolha de inflação entre fevereiro e maio, refletindo um repique nos preços em consequência da desvalorização do dólar. Mas a perspectiva é de que haverá uma posterior acomodação nos preços. A especialista não quis fazer qualquer projeção de taxa porque segundo ela o tempo necessário para a estabilização do dólar e o patamar em que será fixada a cotação da moeda-norte americana é que definirão o ritmo e o percentual da inflação.
Márcia lembrou ainda que as instituições e consultores que prevêem inflação acima de 35% estão considerando a volta da indexação da economia, aumentos generalizados de preços e o descontrole total do governo sobre as taxas de inflação. "É difícil acabar com a memória inflacionária, mas também é difícil que o consumidor aceite novamente a indexação da economia", argumentou. Para ela, o cenário que estima a disparada dos preços não é o mais provável diante do quadro recessivo que está sendo desenhado par o Brasil.
O INPC de janeiro, que ficou em 0,65%, foi menor do que o apurado em janeiro de 1998, quando a inflação foi de 0,85%. Eulina dos Santos lembrou que no início do ano passado houve aumento do preços e pressão inflacionária por conta do aumento do Impostos sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) que incidiu sobre cigarros, bebidas e telefones. Em dezembro do ano passado, o INPC registrou inflação de 0,42%.
A inflação de janeiro refletiu o aumento de preços de ônibus urbanos de São Paulo e de Fortaleza, que registraram altas de 15% e 5,26%, respectivamente, segundo o IBGE. O grupo de transportes e comunicação, que é influenciado por estes aumentos, registrou alta de 1,38% para ser contabilizada pelo INPC. O grupo de alimentos apurou alta de 0,90%, refletindo o aumento nos preços das hortaliças, de 4,73%; do feijão roxo, de 14,56%, de frutas, de 5,55%; e do pescado, de 8,40%.
O INPC de janeiro registrou em São Paulo inflação de 0 85%, segundo o IBGE. O índice representa a segunda maior alta do mês, empatado com Curitiba, na apuração por localidades. A maior alta ficou com Fortaleza (1,03%) e a menor inflação foi apurada no Rio de Janeiro, que registrou variação positiva de preços de 0,15%.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de janeiro, que mede a inflação para famílias com renda de um a 40 salários mínimos, registrou alta de 0,70 %. Este índice apurou variação de preços menor do que a de janeiro de 1998, quando foi medida inflação de 0,71%. Em dezembro, o IPCA variou 0,33%. O IPCA de São Paulo apresentou oscilação positiva de 0 91%, e a do Rio de Janeiro ficou em 0,30%.

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