IBGE aponta índices de trabalho, moradia e renda no Brasil
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quarta-feira, 08 de setembro de 2010
Michelle Aligleri e Agência Estado<br> Reportagem Local 
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou ontem a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) referente a 2009. Os dados apontam as mudanças sociais e econômicas na vida dos brasileiros no último ano.
No setor referente ao trabalho, os números coletados mostram que 8,4 milhões de pessoas estiveram desocupadas entre 2008 e 2009, o que representa um aumento de 18,31% em relação ao ano anterior, a maior elevação desde 2001. Além disso, o índice de desempregados aumentou entre as pessoas que não possuem o ensino médio completo. Uma ração para os números pode ser a crise mundial ocorrida neste período, que causou a demissão de várias pessoas.
Outro dado que chama atenção na pesquisa é referente às mulheres no mercado de trabalho, os números apontam que mais da metade da população de empregados são do sexo feminino. Elas representam 58,3% dos trabalhadores. Apesar do avanço, o salário das mulheres continua sendo menor que o dos homens. Enquanto elas recebem em média R$ 786, o salário deles gira em torno de R$ 1171. O índice é alto, mas a diferença salarial já foi pior em outros anos.
O trabalho infantil também foi abordado pela pesquisa e continua sendo motivo de preocupação. No País, o número de trabalhadores na faixa etária entre 5 e 17 anos recuou de 4,452 milhões para 4,250 milhões de 2008 para 2009, o que representou a retirada de cerca de 202 mil jovens do mercado de trabalho, uma queda de 4,5% no período.
Renda
Segundo o IBGE, os brasileiros tiveram aumento na renda média, impulsionado principalmente por uma melhora na qualidade do emprego, com crescimento na quantidade de trabalhadores com carteira assinada. Em 2009, entre as 101,1 milhões de pessoas da população economicamente ativa, 91,7% estavam trabalhando e as demais, ou 8,3% do total, estavam procurando por trabalho. A pesquisa revelou que a população ocupada no mercado de trabalho ficou relativamente estável, em torno de 92,7 milhões de pessoas em 2009, um acréscimo de apenas 0,3% em comparação a 2008 - em torno de 42,9% da população ocupada trabalhava em atividades de serviços. No entanto, o número de empregados com carteira assinada subiu 1,5% entre 2008 e 2009, para 32,4 milhões de trabalhadores - um acréscimo de mais de 483 mil trabalhadores neste contingente em 2009. O instituto apurou ainda que, em comparação com outros países, a taxa de desemprego no Brasil subiu de forma menos intensa na crise, entre 2008 e 2009.
Os índices de renda foram analisados e os números revelaram que nos últimos cinco anos, diminuiu a diferença de renda entre os mais ricos e os mais pobres. No ano passado, a renda média dos 10% mais ricos do Brasil passou a ser 38,5 vezes maior que a renda dos 10% mais pobres. Em 2008, a diferença era de 64 vezes. ''E isso ocorreu não porque os ricos empobreceram, mas sim porque os pobres tiveram ganhos mais acelerados de renda. Para um governo com o perfil do atual, isso é uma vitória'', afirmou o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo.
Moradia
As residências também entraram na pesquisa. Embora a casa própria seja maioria no total de domicílios no País, o ritmo de crescimento no número de casas ou apartamentos alugados também foi considerável. Em um universo estimado de 58,5 milhões de unidades domiciliares, foram registrados mais de 43 milhões de domicílios próprios em 2009, em torno de 73,6% do total. No entanto, ao se investigar o número de domicílios alugados, este ultrapassou os 9,9 milhões no ano passado, cerca de 17% do total, número 4,3% superior ao registrado em 2008.
Educação
Sobre o elevado percentual de analfabetismo no país, Bernardo disse que as informações que obteve junto ao Ministério da Educação são de que o problema se concentra em áreas rurais. Mas, conforme ele, tem ocorrido melhora, embora seja preciso avançar mais. O ministro também considerou positivo o fato de haver mais contribuições para a Previdência, mas ponderou que é preciso ter um sistema equilibrado, que garanta o pagamento de aposentadoria dessas pessoas no futuro.
O ministro ainda destacou que, mais importante, é o fato de que o acesso a escolas para as crianças brasileiras em idade escolar está praticamente universalizado, o que traz boas perspectivas para o futuro em termos de redução dos índices de analfabetismo.


