IBGE aponta escolaridade baixa no NE e Sudeste
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terça-feira, 25 de agosto de 1998
Eliane Azevedo Agência Estado 
A escolaridade entre os trabalhadores do Nordeste e Sudeste do Brasil ainda é baixa: 64% não têm o primeiro grau completo. No entanto, a taxa de ocupação (percentual da população ocupada em relação ao total) entre os que têm 12 anos ou mais de estudo é de 77%, contra 44,5% entre a população com de um a três anos de escola. Os dados são da Pesquisa de Padrão de Vida (PPV), divulgada ontem no Rio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisa foi realizada de março de 1996 a março de 1997 em cinco mil domicílios das regiões Nordeste e Sudeste. Trata-se de uma pesquisa-piloto e estamos avaliando a possibilidade de produção periódica desse trabalho, disse o diretor de pesquisas do IBGE, Lenildo Fernandes da Silva. O instituto recebeu um financiamento de R$ 1,2 milhão do Banco Mundial para o projeto, já feito em cerca de 30 outros países. O objetivo era coletar dados que, normalmente, não aparecem em outras pesquisas do IBGE e podem servir como base para elaboração de programas sociais.
No item trabalho ficou clara a associação entre a taxa de ocupação e o nível de escolaridade. Quanto maior o nível de instrução, maior é a ocupação. A pesquisadora Sonia Oliveira destacou as profundas diferenças encontradas tanto na ocupação quanto na renda dos trabalhadores quando comparados por raça e sexo. Enquanto a renda média de um homem branco é de R$ 881, a de um negro é de R$ 423 - menos do que a metade.
A mulher branca ganha 35% menos do que o homem, mas acima de um negro. A mulher negra, nordestina e da área rural está no último degrau da escala dos trabalhadores, afirmou Sonia. Em contrapartida, a taxa de ocupação entre os negros e mulatos com nível universitário é de 86%, contra 76% dos brancos.
No Nordeste, segundo a pesquisa, a ocupação é maior entre os que não têm instrução (56%) do que entre os com escolaridade entre um e três anos (46%) - uma demonstração de que os trabalhos pouco qualificados ainda têm peso no mercado regional, o contrário do que acontece no Sudeste.
Os números sobre trabalho infantil também impressionam. Uma em cada dez crianças do Nordeste e Sudeste trabalha. Nas áreas rurais, é uma em cada quatro. O IBGE considerou o universo entre 5 e 14 anos de idade e até nessa ponta mais visível do subdesenvolvimento as diferenças regionais e raciais aparecem. A taxa de ocupação infantil no Nordeste é de 15%, contra 5% no Sudeste.
Embora não tenha sido o alvo da pesquisa, o tamanho do mercado informal apareceu quando a PPV constatou que 57% da população ocupada não contribui para a Previdência Social. Segundo as declarações dos entrevistados, 60% são empregados - com e sem carteira de trabalho; 25% trabalham por conta própria, aí incluídos tanto profissionais liberais como camelôs; 10% não recebem por seu trabalho, situação comum nas áreas rurais ou em negócios familares e 4% eram patrões.


