IBGE aponta crescimento de 0,82% no PIB de 99
Roberto Olinto. Os dados de 99 são relativos ao PIB a preço básico, e não a preço de mercado - ou seja, não incluem os impostos que incidem sobre os produtos. O PIB a preços de mercado deve ser divulgado somente em julho. Por este motivo, o valor absoluto da produção brasileira no ano passado não foi informado pelo IBGE. Olinto considerou improvável a meta de crescimento de 4% neste ano, como vêm prevendo os integrantes da equipe econômica do governo. "Para se chegar a este número, teria de haver fatores extraordinários, como um belo aumento das exportações", justificou. "Com a política de metas de inflação do governo, pouco se pode mexer na taxas de juros, e não sei se vai haver espaço para aumento de 4% do PIB." O economista do IBGE considera uma previsão de aumento de 3% "mais razoável" para o início de 2000 - mas mesmo este número deve sofrer revisão no meio do ano, afirmou. "Pela tendência, a economia está em um crescimento controlado." Mesmo com a redução da área plantada, a produção agropecuária deve continuar a mostrar bons resultados, e as exportações também devem aumentar. Divisão - O coordenador do IBGE alertou que a agricultura não deve impulsionar tanto a atividade econômica neste ano, como em 1999. "Depois de um período de crescimento muito grande, fica difícil crescer mais ainda", afirmou. Ele estimou que a indústria terá maior peso no desenvolvimento econômico. "Teremos uma divisão melhor", previu. "A agropecuária não vai crescer tanto, e a indústria não vai cair tanto." O crescimento de 2,55% da indústria no último trimestre foi "surpreendente", para Olinto, e reverteu uma queda na produção iniciada ainda no fim de 1997, depois da crise do mercado financeiro asiático. O aumento das exportações e os ajustes das empresas ajudam a explicar a mudança - mas a retração prolongada também. "A indústria vinha caindo há muito tempo, e uma hora tinha de parar", afirmou. O desempenho da indústria e dos serviços, que cresceu 1,30% entre outubro e dezembro, resultou no aumento de 1,42% do PIB no último trimestre do ano passado, em comparação com o trimestre anterior. Os dois setores compensaram a retração de 1,37% da agropecuária no período. A redução, no entanto, não chegou a prejudicar a atividade do setor durante o ano todo, por causa do crescimento de 20,03% apurado entre janeiro e março. A safra do primeiro trimestre resultou no crescimento de 8,99% da agropecuária no ano passado - o maior impacto positivo no PIB. A atividade industrial sofreu queda de apenas 1,66%, devido à recuperação do setor no último trimestre. O setor de serviços, contido pela queda da renda e do alto índice de desemprego, cresceu somente 1,07%. Renda - O pequeno crescimento, combinado com o aumento da população brasileira, significou a queda da renda per capita dos brasileiros, admitiu o economista. "Se admitirmos uma taxa de crescimento populacional de 1,198% em 1999, houve queda do PIB per capita de 0,4%", estimou, lembrando que seria a segunda queda consecutiva. Em 1998, a renda per capita caiu 1,32%. Em 1998, o PIB cresceu 0,05% a preços básicos, mas, quando foi corrigido com o valor dos impostos, o resultado foi uma queda de 0,12%. O valor absoluto do PIB, no ano retrasado, foi de R$ 899 bilhões. O IBGE informou que, de 1990 a 1999, o crescimento médio do PIB foi de 23,32% - ou 2,36% em média, por ano. Desde o início do Plano Real, o PIB aumentou 13,11%.Por Gustavo Alves Rio, 8 (AE) - O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro aumentou 0,82% no ano passado, segundo dados preliminares anunciados hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). "A economia não cresceu, mas, se considerarmos as previsões catastróficas feitas em janeiro do ano passado, o desempenho foi melhor do que o esperado", avaliou o coordenador do PIB do IBGE





