Iberdrola não poderá participar de leilões do Norte e Nordeste
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Irany Tereza e Gustavo Alves 
Rio, 17 (AE) - Principal concorrente nos leilões de privatização das distribuidoras de energia, a espanhola Iberdrola, dona de um patrimônio mundial de US$ 9,243 bilhões (dados do balanço de 1998), está impedida de participar das próximas vendas de companhias de eletricidade do Norte e Nordeste.
Com a compra da Celpe, a empresa - que já participa da gestão da Coelba (BA) e da Cosern (RN) - passa a controlar cerca de 33,5% do mercado na região. O limite máximo de participação de cada empresa no setor, conforme definição da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), é de 35%.
O impedimento da Iberdrola abre caminho para outros candidatos à compra das distribuidoras do Maranhão (Cemar), Saelpa (Paraíba) e Cepisa (Piauí), que serão leiloadas este ano. A ausência de disputa no leilão de hoje frustrou o governo, que esperava, até um dia antes, a participação, pelo menos, de outro consórcio liderado pela norte-americana Utilicorp.
"Algumas empresas candidatas disseram que, pelos cálculos de retorno, o preço mínimo teria ficado acima das expectativas e elas não se consideraram aptas a disputar com um concorrente que estava disposto a oferecer bem mais", comentou o presidente da Eletrobrás, Firmino Sampaio. "Mas, o que importa é que a venda foi bem feita e a empresa foi arrematada por um bom operador", minimizou. Antes do leilão, analistas apontavam ágios que variavam de 30% a 80%.
Com a saída da Iberdrola, que se transformou no maior investidor em energia elétrica do Nordeste, a Cataguazes Leopoldina e a Chilectra, que já operam na região, são os mais prováveis candidatos às próximas vendas.
Fechamento - A estratégia de oferta pública de ações, seguida do fechamento de capital, usada pela Guaraniana - holding do consórcio formado pela Iberdrola (42%), BBI, Previ e fundos de investimentos (58%) - na Coelba e na Cosern, deverá ser repetida na Celpe. Mas, segundo o presidente da Previ, Luiz Tarquínio Sardinha, a medida é temporária.
"O fechamento não é permanente, durará apenas o tempo necessário para elevar a rentabilidade das empresas", afirmou. Segundo ele, dois ou três anos serão suficientes para valorizar as companhias e retornar ao mercado de capitais com ações mais competitivas. Tarquínio levantou, ainda, a possibilidade de mudança na participação acionária do consórcio controlador da Celpe, para adequar a proporção de seus membros, à da holding Guaraniana.


