Curitiba- O superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) no Paraná, Marino Gonçalves, informou que somente segunda-feira terá uma resposta sobre os documentos enviados anteontem pela multinacional Syngenta Seeds a respeito das plantações transgênicas mantidas em um de seus centros de pesquisa, localizado em Santa Tereza do Oeste (24 km ao sul de Cascavel). Os documentos, que supostamente confirmariam uma autorização de plantio na área, foram entregues ao Ibama depois de uma denúncia feita pela organização não governamental (ONG) Terra de Direitos, no dia 1º de fevereiro.
De acordo com o coordenador da ONG, Darci Frigo, a multinacional estava plantando milho e soja transgênicos em uma área próxima ao Parque Nacional do Iguaçu unidade de proteção integral e Patrimônio da Humanidade. A ONG acusou outras 17 pequenas propriedades de também plantarem soja transgênica na região.
Conforme Gonçalves, das 18 áreas analisadas pelo Ibama, 13 confirmaram o uso do transgênico, incluindo a área pertencente à multinacional. Essas propriedades receberão multa do Ibama ainda sem valor fixado e em seguida poderão ser denunciadas ao Ministério Público por crime contra a Lei de Biossegurança.
Gonçalves acrescentou qua a região é composta também por diversos produtores orgânicos, inclusive de mel, que resolveram trabalhar próximos ao parque justamente para evitar o contato com plantações transgênicas.
Por enquanto, um termo de embargo imposto pelo Ibama após as análises impede a plantação de transgênicos nas propriedades. Apesar disso, cerca de 1 mil agricultores ligados à Via Campesina estão acampados na área da multinacional desde terça-feira. Líderes do movimento que compreende organizações de pequenos agricultores, incluindo a Terra de Direitos afirmaram que somente sairão do local quando o Ministério do Meio Ambiente tomar alguma providência. Ontem pela manhã, os manifestantes chegaram a impedir a entrada de funcionários na multinacional.
Anteontem, o juiz da 1 Vara Cível da Comarca de Cascavel, Fabrício Priotto Mussi, concedeu liminar de reintegração de posse do centro de pesquisa da multinacional. Os manifestantes têm até cinco dias para desocupar a área de forma pacífica.

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