A partir de hoje estão suspensas as permissões do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Nacionais Renováveis (Ibama) para queimadas controladas em oito municípios do Pará e do Maranhão. ‘‘Esses locais são os mais vulneráveis a grandes incêndios nesta época’’, justificou ontem o presidente do Ibama, Eduardo Martins, que assinou portaria autorizando queimadas apenas quando organizadas em mutirão por fazendeiros, prefeituras ou sindicatos e em áreas de 50 a 500 hectares.
É a primeira vez que o governo proíbe as queimadas controladas. Sete dos municípios atingidos pela portaria são do Pará e um do Maranhão. Em alguns deles, como Parauapebas, há áreas de assentamento. De acordo com Martins, há risco de incêndio nestes municípios, pela combinação dos efeitos climáticos relacionados com o El Ni¤o, a exploração seletiva de madeira, que torna as florestas mais inflamáveis, a falta de umidade no solo e a atividade agrícola. Quem desrespeitar a regra está sujeito a punições previstas na lei de crimes ambientais, como prisão de um a cinco anos.
Os resultados preliminares da Operação Macauã II, feita em conjunto pelo Ibama e Polícia Federal na região amazônica no último mês, revelam uma queda brutal nas apreensões de madeira. No ano passado, durante três meses de operação, foram apreendidos 710 mil metros cúbicos de toras e 22,5 mil metros cúbicos de madeira serrada. Agora foram 2,5 mil metros cúbicos (toras) e 848 metros cúbicos (serrada).
Martins comemora dizendo que é uma reação ao esforço de fiscalização. Mas como suspeita que a redução das apreensões pode ser fruto de uma estratégia dos madeireiros para levar o Ibama a diminuir a ação na área, Martins avisa que a operação não tem prazo para acabar. ‘‘Se não chover, vamos ficar até dezembro’’, afirmou.
Martins também prometeu não ceder às pressões que vem recebendo, até da comunidade internacional, para apresentar o relatório sobre os estragos do incêndio em Roraima. ‘‘Houve exagero nas avaliações divulgadas sobre a área atingida e o impacto do fogo na floresta amazônica’’, criticou. Sua tese é apoiada pela chefe do Observatório da Terra, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Telma Krug. ‘‘Deve ficar abaixo dos 7 mil quilômetros quadrados estimados pelo Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas Amazônicas)’’, aposta Telma.
Cerca de 300 madeireiros do sul do Pará bloqueiam desde anteontem pela manhã, com toras de madeira e galhos de árvore, a Rodovia PA-279, em Ourilândia do Norte. Ontem pela manhã, eles destruíram uma ponte de madeira que dava acesso a um desvio pelo qual transitavam os veículos impedidos de seguir viagem. O protesto é contra a fiscalização que o Ibama está fazendo na região para coibir queimadas e desmatamentos.
Para acabar com o bloqueio da rodovia, os madeireiros exigem que o Ibama instale um posto de informações em Ourilândia do Norte para orientá-los sobre a forma como extrair madeira e queimar a mata sem agredir a floresta. O superintendente do órgão no Pará, Paulo Koury, disse que os madeireiros tiveram dois meses para tomar conhecimento e se adaptar a nova lei ambiental. ‘‘Nosso trabalho desagrada a eles, mas vamos continuar a fazê-lo sem medo’’, afirmou.

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