O mogno encontrado no Depósito Tropical, em Paranaguá, veio do Pará, berço da extração ilegal da madeira. Além do Pará, os planos de manejo onde o mogno é extraído concentram-se no Acre, Mato Grosso, Rondônia e sul do Amazonas, numa região conhecida como ''cinturão do mogno''. Grande parte da madeira extraída nesses locais é exportada no Porto de Paranaguá. No ano passado, das quase 40 mil toneladas de diversos tipos de madeira que saíram do País, 27,84% passaram pelo Porto de Paranaguá e apenas 17,76% pelo Porto de Belém (PA).

Para conter o transporte da madeira extraída ilegalmente e impedir que chegue ao Paraná, o Ibama mantém uma equipe na região conhecida como Trevo do Lagarto, no Mato Grosso. A região é rota obrigatória para quem trafega do Pará com destino ao Paraná. Dados do Ibama mostram que cerca de 600 caminhões carregados com madeira passam diariamente pelo local.

O Ibama investiga se a madeira encontrada ontem, em Paranaguá, foi transportada antes da operação, que pode ter tido falhas. Segundo o chefe de fiscalização do Ibama no Paraná, Paulo Roberto Mattoso, a madeira era ''nova'' e deve ter sido transportada recentemente.

Pelo volume, o mogno vai continuar estocado no depósito sob responsabilidade do Ibama até que sejam apuradas as irregularidades. O órgão ainda procura outros contêineres carregados de mogno em depósitos da cidade.

Para tentar evitar a extração ilegal da madeira e impedir que ela saia do País, o Ibama, em Brasília, anunciou que vai reduzir as autorizações de corte nos planos de manejo em 2002. Pelo menos sete, dos 11 planos de manejo (regiões que têm autorização para extração de mogno) devem ser cancelados no próximo ano. (K.M.)

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