Ibama poderá manter ranchos de turismo no Rio Paraná
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domingo, 23 de maio de 1999
Por Antônio José do Carmo 
Andradina, SP, 24 (AE) - Os ranchos de pesca turística em Castilho, no extremo noroeste do Estado de São Paulo, poderão ficar onde estão embora a legislação ambiental não permita que haja edificações a menos de 130 metros da margem esquerda do rio Paraná. Essa possibilidade está sendo estudada pelo Ibama, segundo informou hoje, em Brasília, Dioni Araújo Corte, chefe da Divisão de Licenciamento. "Cada caso é um caso", disse Corte acrescentando que é preciso analisar melhor as condições técnicas e jurídicas. "Há muitas construções irregulares às margens de reservatórios em todo País", declarou.
A demolição dos ranchos está entre as exigências que o Ibama fez à Companhia Energética de São Paulo (CESP), por ocasião da inundação que está sendo provocada pela barragem de Porto Primavera, distante dali quase 300 quilômetros, no Pontal do Estado. Os donos das construções deveriam receber indenizações, mas apesar da boa proposta de preço os rancheiros estão recusando abandonar tudo que construíram em várias décadas. A maioria dos investimentos são em grandes grupos de sociedade.
Luís Carlos de Souza Lima é gerente do maior empreendimento que está na mira da demolição em Castilho, um hotel fazenda para pescadores amadores e seus familiares. Existem 24 apartamentos prontos e outra quantia dessa em construção com mais de 200 vagas, além de área de camping para atender 6.800 associados de toda região Alta Noroeste.
Lima disse que o clube levou cinco anos para realizar aquelas construções avaliadas em R$ 2 milhões e a exemplo de muitas outras edificações que estão nas margens do Paraná há mais de 30 anos, nunca foram fiscalizadas pelo Ibama e muito menos coibidas. O administrador defendeu a indenização apenas de propriedades que ficarão ilhadas ou submersas pelo nível do rio, que deverá ficar seis metros acima do normal. Falta metade dessa altura para que Paraná chegue ao limite do lago de Porto Primavera.
O prefeito Adão Severino Batista (PFL) levou a Brasília, no último fim de semana, uma lista com 130 assinaturas de donos de ranchos contrários à primeira proposta do Ibama, que foi permitir a reconstrução dos ranchos, hotéis e áreas de lazer, 200 metros acima do lugar onde se encontram hoje. Para Batista, nenhum turista continuará mantendo propriedade no município depois de receber a indenização da Cesp. Além disso o prefeito considera que será muito difícil reconstituir, sobre os escombros, a vegetação que o Ibama deseja. "Nossa proposta foi realizar um projeto de parceria com o instituto, onde os rancheiros se comprometeriam em aumentar a arborização em todos os 200 lotes numa faixa de aproximadamente cinco quilômetros", disse o prefeito. Batista afirmou ainda que além do turismo ser prejudicado, as famílias de trabalhadores domésticos ficarão desempregadas, pois não teriam qualquer indenização. Na luta pela manutenção dos ranchos o prefeito se diz otimista e esperançoso. Afirma contar com apoio da Diretoria de Meio Ambiente da CESP, que deixará de pagar as indenizações, vários deputados e até o senador Ramez Tebet (PMDB-MS), ex-prefeito de Três Lagoas que fica na margem direita do rio.


