Ibama pode liberar pesca na Serra do Mar
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terça-feira, 27 de fevereiro de 2001
Israel Reinstein De Curitiba 
O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) pode liberar amanhã a pesca e o passeio turístico na Baia de Antonina e no Rio Nhundiaquara, na Serra do Mar. Essas áreas foram contaminadas por parte dos 50 mil litros de óleo diesel que vazaram no último dia 15 de um poliduto da Petrobras.
Segundo o superintendente regional do Ibama, Luiz Antonio Nunes de Mello, a revogação da portaria que impede as duas atividades depende apenas da conclusão de análises de água e animais, realizadas pelo Centro de Estudos do Mar, vinculado à Universidade Federal do Paraná (UFPR). A previsão é que esses exames sejam concluídos ainda na tarde de hoje.
Mello disse que somente com os resultados dos exames em mãos vai poder revogar a portaria, baixada no último dia 20. O superintendente acrescentou que as análises preliminares constataram não haver mais resíduos de combustível nas águas do mar e do rio. Também os peixes não apresentaram sinais de óleo
nas últimas coletas. Os técnicos do Ibama estiveram coletando material para análise desde quinta-feira até domingo. Entre os animais mortos encontrados, os funcionários do instituto recolheram um boto, uma lontra, além de dezenas de peixes e caranguejos.
O superintendente do Ibama alertou que a liberação não será total. O consumo de mariscos e ostras deve ficar de fora da portaria. Em função disso, a coleta desses moluscos permanece vetada. Nos primeiros exames realizados foram encontrados restos de óleo diesel dentro dos animais.
Por causa da proibição de pesca e passeios turísticos, os pescadores da região estão recebendo desde sexta-feira passada cestas básicas da Petrobras. Caso o Ibama libere a pesca amanhã, ainda vai faltar revogar outra portaria, desta vez do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), que veta o consumo de animais e água dos rios Meio, Sagrado, das Neves e Nhundiaquara.
O Ibama pretende concluir no fim desta semana o laudo sobre o impacto ambiental causado pelo vazamento em áreas federais. Esse documento será encaminhado à presidência do órgão em Brasília. Vai sair de lá a decisão para aplicar ou não mais uma multa contra a Petrobras. O IAP já multou a estatal em R$ 150 milhões; a empresa pretende recorrer dessa punição.


