O superintendente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente) em Roraima, Ademir Junes dos Santos, 46, afirmou que o órgão está despreparado para ações de combate aos milhares de focos de incêndio que estão devastando a cobertura vegetal no Estado.
Para controlar os 225 mil quilômetros quadrados de Roraima, o Ibama conta com 18 fiscais. ‘‘A realidade é que, no País inteiro, não temos pessoal suficiente e muito menos equipamentos para enfrentar situações de calamidade como a nossa, disse Santos.
O superintendente do Ibama assinalou que as instruções do órgão sobre prevenção e controle de incêndio na mata - a feitura de aceiros (valas desmatadas) para restringir a propagação do fogo - são inócuas nesse instante no Estado.
Segundo Santos, é impossível enfrentar milhares de focos de incêndio com 18 homens desequipados. O Ibama não autoriza queimadas controladas em Roraima desde 2 de fevereiro, quando se intensificou a estiagem na região. Santos afirmou que boa parte dos incêndios nas florestas foi causada por agricultores, enquanto nas savanas foram os índios e fazendeiros.
Para ele, a grande ameaça ao meio ambiente na Amazônia é a pobreza, que obriga a população a se valer de todos os recursos para sobreviver. ‘‘Temos que mudar a metodologia segundo a qual é necessário tocar fogo na terra para produzir, disse.
O superintendente da Funai (Fundação Nacional do Índio) em Roraima, Walter Blos, disse ontem que o presidente do órgão, Marcos Sullivan, liberou inicialmente R$ 30 mil para ações emergenciais nas áreas indígenas atingidas pelo fogo.
Várias tribos indígenas nas savanas devem enfrentar um longo período de escassez de alimentos porque tiveram seus roçados destruídos pelo fogo e o que foi plantado não germinou. ‘‘As queimadas estão diminuindo porque não tem mais o que queimar, disse o índio José Oliveira da Silva, 52 anos, do Conselho Indígena de Roraima. Segundo ele, a situação mais grave é da área indígena Raposa Serra-do-Sol, onde existem tribos macuxis, wapixanas, ingaricós e patamonas.
Na comunidade Machado, os índios macuxis possuem um rebanho bovino de 80 cabeças. ‘‘Oito já morreram de fraqueza por falta de capim e água, disse Silva. Na aldeia Ponta da Serra, habitada por macuxis e wapixanas, o rebanho bovino está tendo que percorrer seis quilômetros para beber água num dos poucos igarapés que não secaram. Não existe pasto e o gado se alimenta de folhas de arbustos.

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