Cuiabá, 20 (AE) - O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) aplicou, em apenas dois meses, multas no valor de R$ 5,5 milhões em 15 madeireiras acusadas de devastar as florestas de Mato Grosso. Somente uma dessas empresas terá de pagar R$ 809 mil pela extração ilegal de mogno, ipê e outras espécies nobres de madeira na região norte do Estado. Os empresários terão 20 dias para pagar a multa ou recorrer na Justiça.
Até hoje, o Ibama já havia recolhido R$ 3,2 milhões das multas aplicadas aos madeireiros. O dinheiro foi depositado numa conta única do órgão, em Brasília. Segundo o superintendente do Ibama em Mato Grosso, Nivaldo Bezerra, várias equipes estão em fiscalização em todo o Estado. O total de multas, até o final do mês, disse, pode chegar a R$ 10 milhões.
Com a operação "Amazônia Fique Legal", deflagrada dia 26 de junho, o Ibama passou a adotar uma nova técnica para combater a extração e o transporte clandestino de madeira no Estado: a explosão, com dinamite, de pontes construídas sobre igarapés pelos madeireiros para facilitar a passagem de caminhões e tratores que vão recolher o que foi derrubado. O trabalho é feito com a ajuda do Exército.
A ação está concentrada ao norte do Estado, entre os municípios Marcelândia, Aripuanã, Sinop, Sorriso e Alta Floresta. A região é rica em mogno, ipê e cedro. Tanto o mogno como o ipê alcançam no mercado internacional U$$ 1.600 o metro cúbico. Em apenas um ano, segundo o Ibama, saíram do Estado de forma clandestina cerca de U$$ 500 milhões em madeira, com destino aos países asiáticos, europeus e para os Estados Unidos.
Desde que foi lançada, a operação "Amazônia Fique Legal" já lavrou mais de 700 autos de infração em delitos como transporte de madeira, queimadas, desmatamentos e extração de minérios sem autorização. De acordo com Marcos Pinto Gomes, chefe do Departamento de Divisão de Controle e Fiscalização do Ibama, a Procuradoria da República em Cuiabá move 15 ações, na Justiça Federal, contra empresas madeireiras acusadas de extração de madeira sem autorização do Ibama. "Temos que colocar esse povo na Justiça para que eles possam respeitar o meio ambiente", disse ele.

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