Ibama multa madeireira em R$ 700 mil no Pará
PUBLICAÇÃO
sábado, 02 de outubro de 1999
Por Carlos Mendes 
Belém, 03 (AE) - A extração ilegal de 1.300 metros cúbicos de mogno e de outras espécies nobres de madeira dentro da reserva indígena caiapó Baú, em Altamira, no sudoeste do Pará
renderam à madeireira Cilla Indústria e Comércio Ltda uma multa de R$ 700 mil. Foi a primeira multa pesada aplicada no País pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) contra uma madeireira com base na nova Lei de Crimes Ambientais.
Flagrada no último dia 19 por fiscais do Ibama chefiados pelo agente Elias Cavalcante e com apoio de militares da Aeronáutica, que faziam parte da Operação Amazônia de combate à extração irregular de madeira, a Cilla teve apreendida todas as toras e outras 23 máquinas de sua propriedade, entre tratores, carretas e caminhões.
O procurador da República no Pará, Felício Pontes Júnior
abriu processo contra a madeireira e anunciou que vai pedir à Justiça Federal que a madeira apreendida não seja leiloada, mas doada a comunidades pobres do interior paraense para a construção de escolas e residências.
Segundo Felício Júnior, após a regulamentação da Lei de Crimes Ambientais o poder público ficou "mais forte para combater madeireiras irresponsáveis que estão devastando a Amazônia". Os donos da Cella, Armando Carvalho Filho e Antonio Villar Júnior, garantem que tinham autorização do próprio Ibama para extrair a madeira e prometem recorrer à Justiça contra a multa. O Ibama alega que concedeu a autorização, mas para extração numa área 30 quilômetros distante da terra dos índios e sem incluir o mogno.


