Brasília - O desmatamento no Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pantanal e Pampas será monitorado por satélites, como já ocorre com a Amazônia desde 1988. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou ontem o início do monitoramento desses biomas, com a elaboração de relatórios anuais sobre a situação da cobertura vegetal nessas áreas.
Por ocupar 24% do território nacional e estar em áreas relacionadas ao avanço do desmatamento no bioma amazônico - em Mato Grosso e no Maranhão, por exemplo - a análise do Cerrado vai ser prioritária, segundo o Ibama.
Assim como o monitoramento da Amazônia, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a análise do Ibama vai ser baseada em imagens do satélite Landsat, além de informações do satélite sino-brasileiro Cbers e do radar Alos, que vai permitir a visualização das áreas mesmo quando houver alta cobertura de nuvens.
A medição do desmatamento vai considerar a situação dos biomas em 2002 e comparar com imagens atuais para verificar as mudanças na cobertura vegetal. Em uma das imagens apresentada ontem pelo Ibama, é possível verificar pelo menos 5 mil hectares de novas áreas desmatadas para implantação de pivôs de irrigação em uma região entre os estados de Minas Gerais e do Espírito Santo. De acordo com o coordenador do Centro de Sensoriamento Remoto do instituto, Humberto Mesquita, o levantamento vai apontar as áreas que sofreram corte raso (desmatamento total), o que não inclui as queimadas.
Na avaliação do ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, a extensão do monitoramento vai mostrar que o Brasil não se preocupa só com a Amazônia e é um pré-requisito para o estabelecimento de metas de redução do desmatamento nessas regiões. ''Alguns biomas estão sendo detonados sem dó nem piedade, às vezes num ritmo muito pior do que o da Amazônia'', comparou. Segundo cálculos do ministro, a devastação do Cerrado cresce em ritmo pelo menos três vezes maior do que na Amazônia, principalmente por causa da expansão agropecuária.

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