Ibama irá responsabilizar acampados por queimadas
Maurício Borges
Enviado a Ivaiporã
Os sem-terra, que há mais de 2 anos ocupam a fazenda 7 Mil, de 5.700 alqueires e com áreas distribuídas nos municípios de Ivaiporã, Jardim Alegre e Godoy Moreira na região centro-norte do Estado , deverão ser responsabilizados por queimadas realizadas em agosto, na propriedade. O fogo consumiu grandes extensões de pastagens e atingiu também áreas de preservação permanente, como matas ciliares, e até partes de mata nativa, que faz parte da reserva legal da fazenda.
Investigações conduzidas pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Corpo de Bombeiros de Ivaiporã, indicam que todos os focos de incêndio foram mesmo iniciados em pastagens, através de queimadas promovidas pelos sem-terra.
Paulo Matoso, que é chefe da unidade de Irati e foi designado pelo Departamento de Fiscalização Estadual do Ibama para a vistoria, revelou ontem que além de serem multados os sem-terra deverão responder por contravenção penal. Fiscais do Ibama constataram que as queimadas atingiram matas ciliares e consumiram cerca de 5 hectares da mata nativa, além de aproximadamente 300 hectares de pastagens. A área é muito grande e para concluir o relatório será preciso ainda um sobrevôo na fazenda, adiantou Matoso.
Ao investigar sítios e fazendas vizinhas da 7 Mil e conversar com agricultores, fiscais do Ibama concluíram que não existem nestas propriedades vestígios de queimadas. Tudo indica que os incêndios foram mesmo iniciados na fazenda 7 Mil, assinalou Matoso.
Acompanhando a vistoria, líderes das 650 famílias de sem-terra que ocupam a fazenda, defenderam-se das acusações de provocar queimadas, argumentando que os diversos focos de incêndio foram iniciados de fora para dentro da fazenda. Vilmar da Silva disse que é praticamente impossível fiscalizar toda a área e que qualquer toco de cigarro atirado de uma estrada rural pode ter provocado incêndios em pastagens, que estavam muito secas depois de geadas e quase 90 dias sem chuvas.
Segundo Paulo Matoso, os responsáveis pelos incêndios irão receber multa administrativa no valor de R$ 4.950 e ainda responderão por crime ambiental. Ele lembrou que o Corpo de Bombeiros de Ivaiporã foi barrado na entrada principal da fazenda 7 Mil, no mês de agosto, quando tentava combater focos de incêndio que ameaçavam área de matas.





