Ibama investiga indústria moveleira no Acre
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Edmilson Ferreira, especial para AE 
Rio Branco, 04 (AE) - Apesar de ter 92% de suas florestas intactas, o Estado do Acre importa madeira serrada de Rondônia, Paraná e Amazonas por um preço até 30% inferior ao do mercado local. "Como exemplo, o lambri usado para forrar casas é de pinus produzido no Paraná, muito mais em conta que o lambri daqui", afirma Luiz Américo Figueiredo, da Federação das Associações Comerciais e Industriais.
A região sul do Amazonas, por sua vez, fornece pranchões para as movelarias do Vale do Acre, que reúne dez municípios. O Ibama anunciou uma investigação para verificar se há irregularidades nessas operações. "O Acre produz 300 mil metros cúbicos de madeira por ano, quase tudo é ilegal", diz Renato Magalhães, do Centro dos Trabalhadores da Amazônia (CTA).
No começo do ano, Estado e sindicato firmaram o "pacto das madeireiras", em que o governo declarou trégua fiscal e colocou técnicos à disposição para preparar os planos de manejo em que a árvore é derrubada com o menor impacto possível ao meio ambiente. Isso implica legalização automática da atividade, mas apenas 16 empresas se habilitaram ao projeto.
Nos Estados amazônicos, mais de 90% da atividade madeireira é ilegal e predatória, de acordo com o Instituto do Homem e Meio Ambiente (Imazon). A área desmatada saltou de 1% no início da década de 70 para quase 15% no fim dos anos 90.


